A Fundação Ford e as Ciências Sociais no Brasil: o papel dos program officers e dos beneficiários brasileiros para a construção de novos modelos científicos

Apresentado em: “Social Sciences and Humanities in the Changing North-South Relations”, INTERCO-SSH – Cordoba, 2015

Esta exposição trata do encontro de funcionários da Fundação Ford – uma das grandes entidades filantrópicas americanas que financiam a produção de conhecimento e de instituições – com parceiros e beneficiários brasileiros passíveis de negociar projetos de interesses convergentes. Por meio desse caso exemplar, que envolve as atividades da Fundação na área das ciências sociais no Brasil, nos anos 1960-1980, interesso-me pela maneira como certos projetos transnacionais são importados e difundidos, chamando a atenção para os program officers, catalisadores na transferência e difusão de projetos transnacionais envoltos nos paradigmas da ciência política e da economia norte-americana.

Na famosa descrição de Dwight Macdonald, a Fundação Ford, que se lançou no cenário internacional durante da guerra Fria, seria simplesmente uma quantidade de dinheiro rodeada de pessoas desejosas dela (Macdonald, 1955:3).

O que pretendo demonstrar aqui vai mais longe, considerando que uma fundação filantrópica não distribui seu dinheiro sem discernimento e nem age isolada. O sucesso de seus programas depende da ação de seus mediadores na escolha dos beneficiários, pois é por meio das doações, e de quem as recebe, que ela exerce sua influência. Atentando para as somas importantes que a Fundação Ford destinou à produção de conhecimentos no domínio das ciências sociais no Brasil (mais de 13 milhões de dólares entre 1966 e 1989), chamo a atenção para a maneira como se deu o encontro dos program officers, encarregados de aprovar as doações, com os intelectuais brasileiros receptivos ao suporte técnico e financeiro oferecido para a criação de instituições de pesquisa em ciências sociais inovadoras, tendo em vista um programa de formação de novas elites para o país.

A hipótese que sustenta este trabalho é a de que as estratégias nacionais e internacionais são convergentes. O sucesso das estratégias de transferência de conhecimentos depende do encontro dos atores envolvidos nessa transferência em momentos históricos muito específicos: os receptores locais, carregados de expectativas e dispostos a subverter regras que não os beneficiam, e os mediadores estrangeiros, capazes de difundir valores e promover mudanças de percepção dentro de um quadro de referências institucionais (desenvolvidas no país de origem) suficientemente flexível para que sejam adaptadas ao sistema local de forma pragmática.

Destacarei especialmente  o encontro que levou à criação do Departamento de Ciência Política na Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG, o primeiro do Brasil (1965), e ao recrutamento de professores dessa universidade para estudar essa disciplina no sistema pós-graduado norte-americano – dando sequência ao que as elites econômicas e políticas do estado de Minas Gerais já haviam iniciado quando, rompendo com a tradição das ciências sociais sediadas em faculdades de filosofia, incluíram, em 1954, a sociologia política numa faculdade de economia. Será sublinhado também o encontro com os professores expurgados da USP pelo governo militar, o que levou à criação, em 1969, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP), o primeiro grande centro de pesquisa independente sobre a realidade brasileira, um caso privilegiado pela visibilidade que deu à complexa relação existente entre a produção científica e a vida social e política [1]. Lembrarei, ainda, a criação da pós-graduação em ciências sociais no Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ e sua valorização do empirismo, a romper com a tradição eminentemente ensaística das ciências sociais. Por fim, o papel estimulante desses agentes mediadores na criação do Comitê Assessor em Ciências Sociais, que dinamizou a Associação Nacional da Pós-Graduação em Ciências Sociais (ANPOCS), em 1978, “expressão do novo equilíbrio de forças entre programas de pós-graduação, centros de pesquisa, disciplinas, tradições de pensamento e de prática científica” (Miceli, 1993:61).

As ações resultantes desses encontros serão apreciadas tendo em mente dois efeitos merecedores de reflexão. Primeiro, elas estiveram na origem dos novos modelos de interpretação da realidade nacional, que se desviaram dos anteriores que estavam ancorados no direito e na sociologia. Além de subverter a hierarquia dos conhecimentos, esses novos modelos trouxeram uma nova prospectiva no trato com os problemas sociais e as políticas públicas, buscando priorizar a competência técnica, fundamentada na estatística. Em segundo lugar, boa parte dos intelectuais de alto nível patrocinados pela Fundação engajaram-se posteriormente na luta pela modernização dos dispositivos de Estado e das competências de governo, transformando-se nos mais importantes atores na reestruturação do espaço político brasileiro dos anos 1990. [2]

Esta exposição está dividia em três partes. Na primeira tratarei dos propósitos da agência de financiamento. Na segunda, dos funcionários da fundação enviados ao Brasil e sua intermediação no financiamento da produção de conhecimento e de instituições junto a parceiros e beneficiários.  Por fim, uma síntese da linha da atuação da Fundação no que se refere à criação da ANPOCS.

Os contatos inicias da Fundação Ford no Brasil e o programa de transferência dos paradigmas da ciência política no Brasil

O encontro direto dos representantes da Fundação Ford com os cientistas sociais brasileiros só aconteceu após o golpe de Estado de 1964. Até então, as recomendações para os programas da Fundação a serem implantados estavam ainda fortemente vinculados à política externa dos Estados Unidos, bastando a vinda de consultores norte-americanos para tratar das questões de política e planejamento da modernização do país, na esteira dos programas da USAID, Peace Corps e Alliance for Progress.  Tais programas não exigiam contatos mais profundos com os intelectuais locais.

O escritório da Fundação Ford no Brasil foi instalado em 1962, no mesmo ano de outros semelhantes na América Latina (Chile e México) e na África (Nairóbi). A abertura dos escritórios marca, portanto, o deslocamento da filantropia internacional da Fundação para regiões limítrofes de governos comunistas. A mudança de rumo já havia sido anunciada com a inauguração oficial do escritório de Istambul, na Turquia, em 1960. Mas para a América Latina, dentre os vários eventos políticos desestabilizadores neste período da Guerra Fria, a motivação principal para este movimento foi a revolução cubana, que priorizou a  canalização das doações para a difusão de ideias de modernização, desenvolvimento e democracia no continente.

A divulgação dessas ideias no Brasil, no delicado momento político dos anos 1960, foi facilitada pelas discussões que existiam na sociedade brasileira concernentes à aceleração da industrialização do país, as quais prolongavam os temas da Comissão Mista Brasil/Estados Unidos para o Desenvolvimento Econômico[3] (1951-1953), ligada ao Ponto IV do Plano Marshal. Os trabalhos desta Comissão haviam contribuído para a prática de gestão e aplicação mais racional dos recursos públicos, além da formação de uma equipe de técnicos brasileiros aptos a devolver projetos de infraestrutura. Mas, até o final dos anos 1950, nenhum dos temas da discussão em administração pública chegou a enfrentar a área do desenvolvimento social e político.

A Fundação Ford no Brasil viria, portanto, atuar exatamente nos domínios não contemplados pela Comissão Mista Brasil/Estados Unidos: o social e o político, por meio da educação superior

A estratégia para o financiamento de pesquisas e cursos de pós-graduação na área das ciências sociais foi estabelecida pouco a pouco. Em 1964, o golpe de Estado, que contou com o apoio do governo americano, afastou a Fundação dos programas locais ligados à política externa norte-americana ( USAID e à Alliance for Progress.). Em seu lugar, foram trazidas as técnicas da Behavioral Sciences, apreendidas no famoso Salzburg Seminar ( o qual a Fundacao havia financiado) como base para expandir, também no Brasil, the United States thinking about political and economic development through education (Holmes, 2013:42-43; Pollack,1979:56-58). Pensava-se em possibilitar o aparecimento de uma comunidade de cientistas sociais brasileiros que não fosse territorialmente circunscrita e que dialogasse com a sociologia empirista, o modelo das relações entre pesquisa social e agentes econômicos e políticos elaborado por Paul F. Lazarsfeld,nos Estados Unidos. Como Peter Bell, o mais importante agente da Fundação no Brasil no período de 1965 a 1969 afirmou,  “os cientistas sociais poderiam ajudar a explorar e clarificar as dimensões política e social do desenvolvimento”.

A orientação para essas ações coincide com a que foi dada pelo Seminário de Salzburg, ou seja, primeiro recrutar e atrair estudiosos em ciências sociais integrando-os às estratégias promovida pelo mecenas, na esperança de que eles desenvolvessem, mais tarde, programas de ensino e pesquisa no país de origem sem mais intervenção direta da Fundação. Segundo,  assistir o grupo de cientistas apoiados para que eles pudessem criar e desenvolver em seu país uma agência científica central, a fim de coordenar a pesquisa científica nacional e evitar a “fuga de cérebros” (Rose, 2003:72-94).

Peter Bell na implementação do programa da Fundação Ford

O representante da Fundação selecionado para a implementação desse programa no Brasil foi Peter Bell que, então com 22 anos, fez jus às recomendações contidas no Gaither Report  no que se refere aos principais critérios para a escolha dos  agentes que garantiriam o sucesso do programa filantrópico da Ford: uma maior ênfase nas  habilidades interpessoais, na imaginação e na experiência em interesses gerais do que na idade, especialização ou reputação.; experiência em viagens e “flexibility to deal with all kinds of people, and a deep conviction with respect to the fundamental objectives of the program”. Qualidades que seriam “necessary to change the content of the program from time to time to meet new conditions”.  (Gaither:133-136).

Quando foi escolhido, Peter Bell havia acabado de receber seu diploma da Woodrow Wilson School of International Affairs em Princeton. como ele prórpio registrou,  seus contatos com o exterior, sensibilizando-o para  “opportunities to resolve conflict, to make peace, to bring about justice, to protect the vulnerable, and to support the poor and disadvantaged”, já vinham do tempo de seus estudos secundários, quando recebeu uma bolsa de estudos para o American Field Service, fazendo parte do primeiros grupo de estudantes secundaristas a ir para o Japão após da Segunda Guerra Mundial, visitando Nagasaki com uma família japonesa. Depois do segundo ano da graduação em Yale, ele se engaged in the civil rights movement, na Operation Crossroads Africa, que resulted in the award to him, entregue a estudantes dedicados a resolver problemas internacionais e buscar a paz, pelo trabalho realizado na Costa do Marfim. Posteriormente adquiriu familiaridade com o governo norte-americano em área sensível da política externa ao trabalhar como estagiário em international security affairs at the Department of Defense, aprendendo o suficiente “about American involvement in Vietnam to be deeply troubled”;  o que o decidiu a desistir de uma carreira governamental e  aceitar o convite para entrar  na Divisão Internacional da Fundação Ford. Em suas entrevistas, usa como uma espécie de mantra, as palavras de seu professor de metafísica em Yale: “Go out and make the world less miserable.”[4]

A primeira missão de Peter Bell no Brasil lhe mostrou o valor desse curriculo para atuar no cenário brasileiro que Sergio Miceli descreveu, com muita propriedade, como mais assemelhado a um enredo de filme  policial do que a um exercício profissional do mecenato (Miceli, 1993:47). De fato, ao chegar na  Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG , em 1965, foi recebido com a  explosão de uma bomba detonada por estudantes avisando-o para que mantivesse distância. Durante os cinco anos de permanência no Brasil  atuou em meio a essas bombas de intimidação, ameaças, provocações, perseguições aos beneficiários das doações, o que, no final acabou “contribuindo para a modelagem de  rotas próprias e arriscadas para a atuação  da Fundação no Brasil” (Miceli, 1993:47) na área das  ciências sociais. A primeira doação aprovada foi para a criação do Departamento de Ciência Política na Faculdade de Ciências Econômicas – FACE, apesar das bombas – seguidas das bolsas de estudo para professores desta escola estudarem ciência política nas principais universidades americanas.  Como se pode ver, abaixo, das 26 bolsas doadas nos primeiros anos, 16 eram da Faculdade de Ciências Economicas de UFMG.

Quadro 1

Science politique – Boursiers de la Fondation FORD (1966-1976)
(par pays, institution d’origine, et destination)

Institution de destination Institution d’origine
UFMG UFRG UFF PUC-RIO USP UnB UFRGS Total
Stanford – EUA 4 1 5
MIT- EUA 3 3
Berkeley- EUA 1 2 3
Harvard – EUA 2 1 3
Michigan – EUA 3

 

3
UCLA – EUA 2 2
Chicago – EUA 1 1
Vanderbilt – EUA 1 1
Cornell- EUA 1 1
Universités

européennes

2 1 3
Total 16 3 1 1 2 1 1 25

Source –Curriculo Lattes, Associaciacão Nacional dos Cientistas Políticos, informations d’entrevues.

 

A ciência política como disciplina ainda não havia sido introduzida nos cursos superiores brasileiros. E não havia ainda no país um sistema de bolsas de estudos institucionalizado e muito menos voltado para a área das ciências sociais. O sistema de bolsas de estudos no Brasil só foi institucionalizado após a reforma universitária de 1968.

Nesse contexto, como compreender as razões da escolha da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG feita em detrimento de outras instituições possíveis, entre diversas renomadas que funcionavam em centros intelectuais mais conhecidos e centrais, tanto no Rio de Janeiro como em  São Paulo – num momento político em que a Fundação Ford, no Brasil, era percebida como uma espécie de “instrumento do imperialismo americano” e os estudantes e professores que se aproximavam dela eram encarados como “abomináveis” (Miceli 1993; Reis, 2004)? O que levou os estudantes e professores de Minas Gerais a aceitarem  o auxílio da agência filantrópica e como eles se legitimaram perante os agentes da Fundação no Brasil?

O encontro com o curso de sociologia política na Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG e seus professores bolsistas

A escolha da FACE veio de pontos internacionais comuns nos primeiros    contatos de Peter Bell no Brasil. Primeiramente, com Leonidas Xausa, um PhD em ciência política pela Universidade de Columbia[5] . Como se sabe, foi nessa universidade que Lazarsfeld desenvolveu as técnicas de sondagem, a ferramenta chave de toda pesquisa americana até os anos 1960.  Leonidas Xausa lhe apresentou  Octávio Cintra, um jovem professor do curso de Sociologia e Política da FACE,   ex-bolsista da ONU– FLACSO, localizada em Santiago, no Chile, onde se situavam  os escritórios  especializados das Nações Unidas na America Latina. Esses pontos itnernacionais comuns levaram Bell a conhecer o curso de sociologia que funcionava, diferentemente de todos os outros cursos de sociologia no Brasil, dentro de uma Faculdade de Economia.

Em meio a bombas de repúdio jogadas por estudantes, Bell encontrou nesta escola uma geração de sociólogos disciplinados, com uma formação sociológica internacional que selava a aliança  entre política e pesquisa social,  a começar com o empirismo das sondagens. No cursos de de Sociologia, davam um novo impulso às reflexoes sobre política no Brasil, com artigos publicados na Revista Brasileira de Estudos Políticos RBEP, divulgando temas novos no meio acadêmico , como natureza dos sistema de partidos e comportamento eleitoral, origem social dos dirigentes, etc. Única no gênero no Brasil da época, era a mais internacional das revistas de Ciências Sociais feitas no Brasil e foi a primeira a suscitar artigos empíricos orientados metodologicamente por surveys. Uma área de estudos que a própria Fundação Ford havia criado, em 1954, no Center for Advanced Studies in the Behavioral Sciences, em Stanford, e exportado para a Europa, com  fundos substanciais, por meio do Salzburg Seminar criado em Harvard.

O curso de sociologia e política havia sido criado dentro da FACE, em 1953, com vistas a pensar a modernização da administração pública do Estado de Minas Gerais (Arruda, 1989), quando Juscelino Kubitschek era governador do estado. Por essa razão,  foi anexado ao de Administração Pública. Sua constituição tinha a ver com as  estratégias políticas de formação de profissionais necessários no plano nacional, num momento em que os grandes progressos para o planejamento da economia nacional estavam em curso na Comissão Mista Brasil/Estados Unidos. Longe da realidade agrária da economia mineira, muitos professores do curso já procuravam  romper com a tradição ensaística dos estudos políticos brasileiros ligados ao direito constitucional e à economia política, orientando-se em proximidade com a ciência política elaborada nos Estados Unidos (Reis, 2004:17). Manter um curso de sociologia política acoplado ao de Administração Publica numa Faculdade de Economia era uma grande inovação e, pelo apoio dado a ele por banqueiros e políticos renomados (Paula, 2006:333; 2011), pode-se pensar no seu papel de  garantir a posição dos políticos mineiros junto às instituições do Estado Nacional. , Juscelino Kubitschek, por exemplo, que fora eleito presidente da República, em 1955, com um ambicioso plano de metas para eliminar os “pontos de estrangulamento” da economia brasileira, realizado  com base no diagnóstico da Comissão Mista , foi membro da direcao dessa Faculdade..

Dos 11 primeiros professores recrutados por Peter Bell para estudar ciência política nos Estados Unidos, no período 1966-1969, sete deles  foram selecionados deste curso por dois professores da universidade de Stanford, Frank Bonilla e Robert Packeman, onde se encontrava o Center for Advanced Studies in the Behavioral Sciences criado pela  Ford Foundation. Uma pesquisa (Canedo, 2009:41-42) identifica esses sete professores mineiros como possuindo um capital social relativamente modesto, a primeira geração a aceder aos estudos superiores na família e, sobretudo, sem qualquer laço de parentesco com a rede das grandes famílias políticas de Minas Gerais, que detinham as mais importantes posições governamentais, inclusive no nível nacional[6]. Ainda assim frequentaram escolas secundárias de primeira linha em Belo Horizonte e obtiveram  bolsas de estudos para se diplomarem na FACE, dentro de um programa criado por um professor da Universidade de Pittsburgh, Elwyn A. Mauck, enviado pelo Brazilian Board of Advisors on Public Administration para adaptar o curso aos conceitos dos estudos multidisciplinares que eram desenvolvidos nos Estados Unidos (United States. Foreign Operations Administration, 1954:20; Barros, 2013:112-118)[7]. O programa de bolsas foi implementado pela direção da Faculdade com apoio dos empresários e banqueiros mineiros(Barros, 2013:112-118). Foi o primeiro no gênero implantado no Brasil, baseado no mérito, dispondo de infraestrutura extraordinária em relação aos demais cursos similares no Brasil. Tinha por base a ideia de que, em ambiente continuado, os  graduandos da FACE, selecionados por concursos,  se  transformassem na massa inicial para uma pós-graduação sólida e competente, abrindo caminho para a capacitação e a reprodução do quadro docente (Canedo,2009).

O fato de terem conquistado bolsas de estudos por mérito em importantes instituições nacionais e internacionais e serem intelectuais reconhecidos na academia não apagava o fato de a sociologia não ser considerada um curso de prestígio para o mercado local. Além  do mais, a formação fora dos parâmetros dos mais influentes cursos de sociologia existentes nas universidades brasileiras indica a dificuldade para encontrar uma porta para atuação profissional fora da UFMG,  ou alcançar altos cargos na administração pública federal, que estavam preferencialmente abertos para os herdeiros das grandes famílias mineiras (Canedo, 2009). Esses herdeiros escolhiam a tradicional Faculdade de Direito, de maior prestígio para quem aspirava a altos postos políticos.

José Murilo de Carvalho, um desses ex-bolsistas, hoje membro da Academia Brasileira de Letras e autor de livros que contribuíram para a revisão total da história republicana brasileira,  explica,  em entrevista, esta situação e o  funcionamento prático da hierarquia universitária:

Eu não tinha perspectiva profissional. Para dar um exemplo, não me passava pela cabeça que um dia pudesse comprar um carro […].  O fenômeno era mais geral e transparecia nos bailes do Diretório Central dos Estudantes. Na dança, a distância entre moças e rapazes era definida a partir da resposta que se dava a uma pergunta inevitável que elas faziam logo que de início: “que curso você está fazendo?” Se a resposta fosse Sociologia Política, ou outro curso de pequeno prestígio, a distância entre os pares aumentava e daí a pouco elas se escusavam e voltavam às cadeiras à espera de melhor sorte. Quem quisesse se dar bem tinha que responder Engenharia, Medicina, Direito, ou Economia. Aí elas grudavam. (Paiva, 2010: 228)

Motivo pelo qual, muitos deles filiaram-se a grupos de esquerda, no início dos anos 1960, e foram profundamente afetados pela repressão política após o golpe de Estado de 1964. Como para a maioria dos brasileiros, o golpe os pegou de surpresa, “como o céu desabando sobre nossas cabeças […]. Vagávamos perdidos pelas ruas de Belo Horizonte, enquanto os alunos de direita circulavam armados, denunciando colegas e fazendo prisões” (Paiva, 2010: 228).

Nessa Faculdade de Ciências Econômicas, entre os que vagavam perdidos neste momento político especial, Peter Bell encontrou o terreno favorável a seus objetivos: não só o de constituir uma ciência rigorosa da sociedade, como o de também cultivar virtudes cívicas indispensáveis à construção de um mercado internacional da competência do Estado.  O apoio para a criação do Departamento de Ciência Política na UFMG  ajuda a entender a estratégia de longo prazo da Fundação: investir em algo novo, numa disciplina ainda inexistente no Brasil com forte apoio de uma universidade reconhecida. É o que explica o desinteresse manifestado por Bell à solicitação financeira da USAID para um projeto de estudos do Centro de Estudos e Pesquisas no Ensino do Direito – CEPED – visando a reforma no ensino jurídico:

As with housing, it can be easier to build from scratch than to restructure a pre-existing but outmoded building. Reforming legal education meant changing well-entrenched institutional practices and cultures—no easy task, as the Foundation and CEPED would discover. […]  I had some inkling of how difficult it might be for a small center–outside of any law school and without strong university support–to bring about the far-reaching reform of legal education; but in retrospect we failed to appreciate what a slow, uphill climb it would at best be (Bell, 2010:13).

A decisão de investir na FACE e nos seus professores, com forte suporte de uma universidade, em lugar de reformar o ensino jurídico com suas práticas e culturas institucionais, resultou em frutos de alta qualidade, compatível com o investimento feito de ambos os lados.

Com o contínuo apoio financeiro da Fundação Ford, criaram programas pioneiros de pós-graduação em política, tanto em Minas Gerais quanto no Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro – IUPERJ,  que foi localizado dentro de uma das mais antigas instituições privadas  de ensino superior do país (Faculdade Candido Mendes). Dentro do IUPEJ transformaram a revista Dados: Revista de Ciências Sociais, de nome bem significativo para a valorização do empirismo, numa revista internacional que, ainda, é uma referência na área.

 

O encontro com intelectuais expurgados da USP: a produção de conhecimento em ciências sociais como  vetor das  reformas de Estado

Também receptivos a desenvolver um projeto em conjunto com a Fundação Ford foram os intelectuais expurgados Universidade de São Paulo pelo Ato Institucional n. 5 (13 de dezembro de 1968). Neles Peter Bell encontrou o desejo e a expectativa de permanecerem produtivamente engajados no Brasil em atividades de pesquisa por meio da criação de um think tank independente, capaz de implementar novos métodos de trabalho científico para superar a compartimentalização do conhecimento, promover mudanças e influir na realidade.

Sob inspiração e liderança de Fernando Henrique Cardoso,  cinco desses professores afastados da universidade, oriundos de diversos campos do conhecimento – o filósofo José Arthur Giannotti, a demógrafa Elza Berquó, o sociólogo Candido Camargo Procópio, o economista Paul Singer e o cientista político Juarez Brandão Lopes – haviam se reunidos, seis meses depois do expurgo, para organizar o centro e  “criar as condições de continuidade de um pensamento livre nos anos da truculenta ditadura militar” (Montero, 2002). A rapidez do movimento indica que a ideia já vinha sendo desenvolvida há alguns anos (Sorj, 2001: 30-31).

Tal como os professores de Minas Gerais, esses paulistas tinham formação em universidades americanas (com exceção de Singer) e procuravam algo novo, diferenciado do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB) – o mais influente think tank do país naquele momento – pois não tinham a  intenção  de se assumirem como porta vozes dos movimentos sociais e, menos ainda, criar um centro de pesquisas  formulador de doutrinas. Assim, na ata de fundação, o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento – CEBRAP foi  definido como uma sociedade civil, sem fins lucrativos, com objetivos de pesquisa, assistência técnica, consultoria, treinamento e ensino (Berquo, 2012).

Um projeto com esta ambição necessitava de respaldo político e financeiro, o que apresentava dificuldades. Além da falta de recursos, era  enorme a suspeita de “subversivos” em relação ao grupo. Seus integrantes mobilizaram inicialmente as relações sociais e políticas que mantinham com os setores liberais da elite (sobretudo paulista): entre os empresários – todos com forte orientação intelectual – destacam-se os nomes de José Mindlin, Celso Lafer, Oswaldo Gusmão, P. Farkas e, entre os políticos, Paulo Egídio, Severo Gomes, Dilson Funaro.

Tratava-se de “vínculos bastantes sofisticados tanto no nível dos indivíduos como no nível de relações com instituições”, de acordo com Frank Bonilha, consultor da Fundação Ford (Sorj, 2001:33), o que capacitava o grupo para uma solicitação de verba para a criação do centro. Bolivar Lamounier, umdos  mineiros da FACE que já havia sido tirado da prisao por peter Bell, desempenhou um papel de intermediário nas negociações.

Num discurso de agradecimento aos colegas do CEBRAP que o celebravam pelo premio Kluger, Fernando Henrique relata que Peter Bell “agiu incisivamente para convencer seus patrocinadores de que valia a pena dar algum recurso para uma organização como o CEBRAP, que nascia numa área cinzenta: não se sabia se seria aceito com legitimidade, ou se seria considerado uma organização subversiva” (Cardoso, 2002:199).

Pelo seu lado, Peter Bell continuava a receber ameaças. Desta vez, elas não vieram de estudantes e nem mesmo dos policiais que ele visitara numerosas vezes nas delegacias de policia para dar respaldo a professores presos. A ameaça veio do próprio representante da embaixada americana no Rio:

Ele começou me avisando: “Se você sabe o que é bom para a sua carreira, você irá desistir de obter a verba para o CEBRAP”. Eu disse a ele que nós trabalhamos muito na recomendação, revisamos com cuidado a proposta e os planos de Fernando Henrique e seus colegas, e estávamos convencidos de que atendia aos nossos parâmetros. Realmente, nós estávamos entusiasmados com aquela oportunidade […].  Ele respondeu marcando um encontro para mim no dia seguinte com um oficial da CIA. Ele chegou carregando uma pasta com memorandos e clippings de jornal. Eu examinei o material com ele: cada item simplesmente indicava que Fernando Henrique havia sido visto na presença de um “conhecido esquerdista”. Eu disse ao meu visitante que a pasta era tão somente sobre “culpado por associação” e que eu não havia visto nada que invalidasse nossa recomendação aos representantes da fundação. Eles de fato rapidamente aprovaram a doação. (Bell, 2012)

A disposição de Bell de apoiar o CEBRAP desencadeou uma intensa polêmica entre os intelectuais diante do significado político e mesmo moral que a aceitação do dinheiro dessa instituição poderia ter naquele momento, e das possíveis restrições de ordem intelectual que este tipo de vínculo poderia acarretar para os membros do Centro (Sorj, 2001:32).

Entretanto, foi a  doação que Bell aprovou  para a criação do CEBRAP (dois milhões duzentos e dezesseis dólares) que transformou o Centro numa referência na produção de conhecimentos de ponta nas diferentes ciências sociais, funcionando como fórum de debates sobre grandes  problemas nacionais e  não somente como meio para  transferência  de conceitos clássicos, como se fazia até então. Desta maneira, o Centro contribuiu para definir o papel social e político dos intelectuais, aproximando-os de públicos relativamente divergentes, como tecnocratas e reformadores modernistas, mas também  ideólogos da esquerda marxista e  apoiadores do movimento de 1964.

A Fundação amparou financeiramente o trabalhos do CEBRAP até 1976, quando a FINEP – Financiamento de Estudos e Projetos Científicos e Tecnológicos – vinculada ao Ministério do Planejamento, iniciou o processo de construção institucional das Ciências Sociais no Brasil,  iniciado pela Fundação Ford.

Boa parte dos fundadores do CEBRAP, assim como os primeiros beneficiários das doações da Fundação Ford em Minas Gerais,  fez parte do governo Fernando Henrique Cardoso, quando este foi eleito presidente da República em 1994, após a redemocratização do país.  Eles foram chamados pelo presidente a assumir o papel de principais assessores para as políticas de Estado inovadoras promovidas no período. Das reformas de que participaram sobressai a do sistema estatístico do IBGE, órgão que reúne os indicadores e as informações básicas para o governo e a população, responsável pela reorganização do impacto dos serviços sociais oferecidos pelo governo com educação básica e assistência à saúde e principalmente os benefícios da previdência social e o pagamento de pensões (Schwartzman, 2009). Foi o que possibilitou o impacto dos programas sociais públicos de redistribuição da renda implantados no período, em especial  no campo da política de enfrentamento da pobreza, lideradas por Vilmar Farias, relativas às instituições do sistema de proteção social: a elaboração da chamada “rede de proteção social do governo”, que pretendia combater a pobreza nas cidades com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Esse programa inaugurou no Brasil a política social de transferências monetárias a pessoas ou famílias de mais baixa renda, destinado a protegê-las nas distintas circunstâncias de risco e vulnerabilidade social. Os ex- beneficiários das dotações fizeram parte também da maioria dos conselhos criados, entre eles o de educação e política externa, e vários ministérios, como o da Saúde e o da Cultura, participando das reformas do Estado brasileiro, para transformá-lo em indutor do crescimento e regulamentador da economia. Enfim, essa equipe de governo foi produto de uma elite gerada por um modelo de Estado desenvolvido dentro do CEBRAP, que formou gerações de intelectuais, cientistas e técnicos de primeira grandeza. .

Ao completar seus quarenta anos em 2011, o CEBRAP contava com algo em torno de 68 pesquisadores entre sêniores, plenos e assistentes.  A criação e a consolidação de programas de pós-graduação nas universidades trouxe novas gerações ao Centro, mas como a maioria dos fundadores, estas novas gerações  também foram formadas, na sua maioria,  nos centros de pós-graduação em ciência política dos Estados Unidos, continuando a trazer de lá os novos instrumentais analíticos para enfrentar os debates mais contemporâneos sobre democracia, Estado, partidos políticos e eleições

A criação da ANPOCS: agregar os pesquisadores numa comunidade internacional

Peter Bel deixou o Brasil no final de 1969. As doações que aprovou cumpriram os objetivos da Fundação Ford, inscritos no famoso Relatório Gaither de 1950: ajustamento das atividades acadêmicas ao trabalho de militância política democrática no modelo americano, com vistas ao fortalecimento e treinamento de elites políticas para quadros executivos nacionais e internacionais, e “tomando as áreas subdesenvolvidas do mundo como foco especial” (Gaither, 1950: 52-61).  Em 1970, instituições de pesquisa em ciências sociais apoiadas pela Fundação (o Departamento de Ciência Política de Minas Gerais, o IUPERJ e o CEBRAP, bem como o programa de pós-graduação em antropologia social do Museu Nacional) já estavam funcionando bem, transformando-se em estruturas com futuro no panorama brasileiro. Mas moviam-se de forma isolada, sem discussão dos problemas de ensino e de pesquisa dos pós-graduados nas Ciências Sociais, cujos programas cresciam ano a ano como resultado da reforma universitária de 1968 (Canedo e Garcia, 2011)

A necessidade de agregar os pesquisadores numa comunidade nacional surgiu, naturalmente, dos centros privados, CEBRAP e IUPERJ, criados dentro da linha de atuação da Fundação Ford, e tomou corpo em 1978 por ocasião da criação da ANPOCS – Associação Nacional de Pós graduação em Ciências sociais (ver em anexo os primeiros documentos ligados à criação da ANPOCS com endereço do IUPERJ).

A primeira discussão sobre o assunto aconteceu durante o Seminário sobre Indicadores Sociais do Desenvolvimento Nacional na América Latina, organizado no IUPERJ, em maio de 1972, no Rio de Janeiro. Mas o esboço da redação da minuta da futura associação foi escrito por um funcionário da FINEP, Mario Brockmann Machado, ele próprio um ex-bolsista da Fundação, e distribuído no 1º Encontro Nacional de Coordenadores de Programas de Pós-graduação em Ciências Sociais, realizado no ano seguinte, em Fortaleza, o que o levou a dizer que a ANPOCS, fundada em 1978,  não foi somente um caudatário das ações dos program officers da Fundação (Machado, 1993:103).

Menos do que a dotação aprovada para a ANPOCS, o segredo da missão de exportação de conhecimentos da Fundação Ford, levada a efeito pelos seus program officers, notadamente Peter Bell, situa-se no fato deles terem sabido perceber, em cada momento histórico, qual deveria ser a prioridade, fazendo valer, antes de tudo a capacidade operacional já existente. Assim, no caso da ANPOCS, souberam exercer uma influência grande na percepção dos professores da pós-graduação no que dizia respeito à importância da ANPOCS para a divulgação de virtudes cívicas na prática do trabalho de equipe capazes de lhes assegurar o acesso à produção internacional por meio de exigências quanto à literatura sobre o tema, hipóteses orientadoras, natureza dos dados a serem coletados etc. (ANPOCS, 1991).

E essa foi a tarefa dos membros do Comitê Assessor em Ciências Sociais, organizado por Shepard Forman, para julgar auxílio à pesquisa, financiado pela Fundação nas áreas de Sociologia, Ciência Política e Antropologia. Neste concurso FORD/ANPOCS, o funcionamento do comitê levava em conta o mérito, com normas publicamente orientadas (ANPOCS, 1991). Seus membros eram escolhidos “aos olhos de pesquisadores que regularmente se encontram, discutem e formam opinião (nos GTs, nos Encontros e nas Assembleias) ”, o que  influía nos próprios parâmetros do concurso (Brandão, 1993:160-162)[8].

Membros do Comitê Assessor em Ciências Sociais (criado pela Fundação Ford) que deu origem à ANPOCS, em 1978. Da esquerda para a direita, Shepard Forman e Priscila (representante e secretária da Fundação), Otávio Velho, Sílvio Maranhão, José Murilo de Carvalho, Fábio Wanderley Reis, Klass Wortman, Ruth Cardoso e Juarez Brandão Lopes. Agachado, Boris Fausto. (foto: arquivo pessoal ) . Fonte:  Revista Ciência Hoje, 2013.. 

<http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2013/301/imagens/pensadordobrasil02.jpg/view&gt;

Para Juarez Brandão Lopes, as normas de garantia de impessoalidade, isenção do julgamento pela defesa das notas em discussão com os pares, criadas para o Comitê, foram aspectos que deram legitimidade à comissão do concurso administrado pela Fundação. Ele levava em conta o fato de que nos comitês assessores das financiadoras governamentais os julgadores são pareceristas que não se encontram e que são escolhidos pelo grupo interno dos altos funcionários. Assim, mesmo quando a Fundação Ford decidiu passar a administração do concurso de auxílio à pesquisa para a própria ANPOCS, as normas continuaram a existir.   Por meio do auxílio à pesquisa foi também assegurado o acesso a produção internacional, garantidas pelas normas do edital para o projeto de pesquisa.

José Murilo de Carvalho, presente na fotografia acima, comenta em entrevista dada a estudantes de ciências sociais que “quem opta por fazer Ciências Sociais hoje, candidata-se a fazer parte dessa comunidade sólida e pujante, que já conversa de igual para igual com os interlocutores externos e começa a fazer parte relevante de uma comunidade internacional”.  (2012)

Paro por aqui, esperando que com esse caso possa ter contribuído para uma discussão sobre a exportação e importação de conhecimentos, um fenômeno de difícil medição, inscrito em estratégias de jogo duplo, com resultados nada triviais no campo científico e na área social e política (Dezalay). Resultados que se manifestam com intervalos e reajustes institucionais que confirmam episódios mais ou menos longos de afrontamentos, tão sensíveis e controversos como aqueles revelados durante o apoio dado pela Fundação Ford à institucionalização das ciências sociais no Brasil.

Referências

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Quadro 3.- Major Ford Foundation endowments in favor of social sciences in Brazil, initiating in the years 1967 -1979

Início e  encerramento dos convênios Posição Instituições Disciplinas prioritárias Montante das dotações em US$
1969-1987 Cebrap – Centro Brasileiro de Análise e Planejamento – São Paulo (única instituição Política a receber endowment de US$ 750.000 em 1975 Economia, Demografia, Sociologia e Ciência Política 1.721.200
1967-1989 Iuperj – Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro Ciência Política e Sociologia 1.671.323
1968-1989 Museu Nacional/UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro Antropologia 1.283.496
1979-1989 Cedec – Centro de Estudos de Cultura Contemporânea – São Paulo Ciência Política e Sociologia 1.097.079
1978-1989 Anpocs – Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais Antropologia, Sociologia e Ciência Política 922.032
1966-1984 UFMG/DCP – Universidade Federal de MinasGerais/ Departamento de Ciência Política Ciência Política 860.477
1982-1990 Fundação Carlos Chagas/São Paulo Estudos sobre mulheres 585.200
1970-1984 UFP/Pimes – Universidade Federal de Pernambuco /Programa Integrado, Mestrado em Economia e Sociologia Mestrado em Economia e Sociologia 538.782
1972-1988 UnB – Universidade Nacional de Brasília Antropologia 436.315
1967-1975 10º UFRGS/Universidade Federal do Rio Grande do Sul Ciência Política 422.311
1973-1983   Total para instituições   9.538.215  (71%)
Concursos de bolsas   1.558.145  (12%)
Demais dotações   2.296.749  (17%)
Total geral/dotações Ford   13.393.109 (100%)

Source: Ford Foundation, New York, 1988, reproduce from Miceli (1990, p. 72).

NOTAS

[1]. Fazer a relação com a criação do ITDT, em 1963,  nas palavras de Enrique Oteiza (director del Instituto): “es imperioso conocer la naturaleza de nuestros problemas y ensayar auténticas soluciones a los mismos”.

[2] O caso que exponho faz parte de uma pesquisa maior sobre a sociohistória da vida política brasileira, voltada para a observação sistemática dos usos, dos comportamentos e das representações dos atores políticos e sociais, procurando compreender, de um lado, como os indivíduos interiorizam e incorporam maneiras de pensar e agir e, de outro, que uso fazem disso em suas práticas dentro das instituições. O trabalho resulta de dois projetos temáticos conduzidos pela mesma equipe de pesquisadores ligados a universidades brasileiras, francesas e argentinas. O primeiro temático foi patrocinado por um dos acordos Brasil/França – CAPES/COFECUB – e tratou dos itinerários intelectuais dos estudantes brasileiros que se dirigiram ao exterior na busca de formação doutoral. O segundo foi financiado pela FAPESP e identificou os recursos sociais empregados pelos que vão estudar no exterior, bem como as vias internacionais percorridas por eles para rentabilizar o diploma obtido e se inserir nas transformações em curso no domínio do poder em escala globalizada.

[3] Formada no âmbito do Ministério da Fazenda, e integrada por técnicos brasileiros e norte-americanos, a Comissão Mista Brasil-Estados Unidos para o Desenvolvimento Econômico fazia parte do plano norte-americano de assistência técnica para a América Latina, contido no Ponto IV do Programa que norteou a política externa dos Estados Unidos após a II Guerra Mundial. A finalidade era “promover o desenvolvimento econômico do Brasil, tendo em vista, particularmente, a formulação de planos de investimento destinados a vencer as deficiências em transporte e energia”. Quarenta e um minuciosos projetos foram elaborados. Além disso, a Comissão preparou um Relatório Geral em que são examinadas as tendências a longo prazo da economia brasileira. O Relatório pode ser lido em:  <http://www.centrocelsofurtado.org.br/arquivos/image/201109231638540.MD2_0_277_1.pdf>

[4] Disponível em: <http://alumninet.yale.edu/classes/yc1962/pbell0804-2.html&gt;

[5] – Tratava-se de Leonidas Xausa era professor catedrático da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).Devo a Helgio Trindade esta informação (Trindade, 2004).

[6] O Estado de Minas Gerais é conhecido por ser um viveiro de políticos de envergadura nacional. Biografias, entrevistas e crônicas literárias são algumas das fontes comumente utilizadas pelos historiadores para funcionar como princípio de avaliação do poder da elite política mineira durante o Império (1822-1889) e, em especial, sob a República: seis presidentes da República, numerosos ministros (entre os das pastas mais importantes), oito vice-presidentes da República, uma forte representação nas principais comissões de finanças e de justiça no Congresso Nacional, e as principais funções em todos os ministérios. Desde o início da Nova República, nos anos 1980, a formação política de três presidentes sobre cinco foi realizada em Minas Gerais (Canedo, 1998).

[7] Foi esta experiência que Elwyn A. Mauck levou, posteriormente,  como base para a criação de Departamentos de Administração Pública  na Nigéria, Taiwan, Coréia e na Turquia (Pittsburgh Univ. 1968:VIII).

[8]No ano de 1983, o Informe ANPOCS traz a lista completa das 38 dotações aprovadas pela Fundação para projeto de pesquisa, com nome dos aprovados, com títulos de projetos mostrando grande diversidade, e concentração de pesquisados na UFRJ, PUC/Rio, USP e UFRGS.

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Rites, symboles et allégories dans l’exercice professionnel de la politique

Publicado em: Informations sur les Sciences Sociales, Londres, v. 38, n. 2, p. 249-271, 1999

Les études qui prennent pour objet les formes de conduite politique caractéristiques de la démocratie représentative les dissocient, en général, des pratiques et des démarches de l’homme politique dans les structures sociales à priori non politiques, comme la famille. Les spécialistes n’ont pas trouvé la motivation nécessaire pour réfléchir sur les normes de conduite politique intériorisées dans les esprits et dans les corps, principalement par les biais des rituels familiaux. Ils ont tendance à préférer, parmi les différentes entrées qui permettent d’appréhender la politique, les chemins qui donnent accès à une identification immédiate entre politique et jeux des partis, entre l’organisation formelle des institutions et l’analyse statistique des élections. Les formes particulières que prend la domination politique demeurent confinées dans les études de micro-histoire et d’anthropologie (Pourcher, 1987 ; Abélès, 1989). Elles constituent ce que Yves Pourcher a appelé « la partie immergé de l’iceberg (Pourcher, 1991, 197) » et sont considérées par les analyses habituelles comme dépourvues d’un poids suffisant pour susciter des nouvelles perspectives théoriques sur le plan politique.
L’image de l’iceberg m’a incité à explorer les voies par elle suggérées : aborder la politique de l’intérieur, en me servant de ses expressions « officieuses », afin de réfléchir sur les formes de politisation des rapports sociaux que les analyses habituelles tendent à ignorer au nom des formes officielles de la politique. Dans cet article j’analyse deux cérémonies exemplaires sous cet aspect. Elles montrent l’action de certains hommes politiques dans leur milieu social cherchant à assurer leur existence politique et, par conséquent, les effets de cette action pour la reproduction des rapports qui constituent l’ordre politique où ils vivent. Ces cérémonies s’insèrent dans le cadre d’une recherche plus large, à laquelle je me consacre depuis environ dix ans, sur la problématique de la transmission du pouvoir politique et de la reproduction familiale dans la politique brésilienne (Canêdo, 1991 et 1994).
La première de ces deux cérémonies est un enterrement ayant lieu dans un cimetière de la ville de Muriaé, dans le Minas Gerais, brésilien ( ). Le défunt appartenait à un groupe familial considéré dans sa région comme « une famille d’hommes politiques », certains de ses membres ayant occupé des postes importants, tant au niveau régional qu’au niveau national, pendant des générations (Canêdo, 1991 et 1998 ; Horta, 1956). Mon intérêt pour cette cérémonie vient du fait qu’elle dévoile l’un des aspects empruntés par les pratiques qui assurent, transmettent et donnent du sens aux liens de parenté, lesquelles renferment des significations décisives pour le processus d’accumulation d’un patrimoine politique familial.
L’autre cérémonie est la fête qui célèbre le « Jour du Muriaense », prévu pour rendre hommage aux citoyens de la ville de Muriaé. C’est un événement officiel, marqué par un jour de congé municipal. Cependant, les diverses cérémonies officieuses qui font partie de la fête tournent autour de la mémoire d’un ancien maire qui a institué le 6 septembre comme le jour du citoyen de Muriaé. Ce maire, qui appartenait au groupe familial cité, est dans ce cas rappelé de manière à donner aux participants de la fête le sentiment de partager des idées et des intérêts.
Vues sous l’aspect de cérémonies politiques (Corbin, 1994 ; Martin 1995), chargées de gérer les sentiments d’identité et d’unité, l’enterrement et la fête du muriaense placent sous notre regard des éléments de l’expérience familiale que le groupe familial cité s’efforce de réactiver dans sa propre mémoire mais aussi dans celle de la population de la ville où il détient un pouvoir électoral depuis 137 ans : depuis l’arrivée à Muriaé d’Antonio Augusto Canêdo, nommé par le Ministre de la Justice de l’Empire, en 1860, au poste de premier juge de la région ( ).
Dès lors on peut observer à Muriaé les hommes politiques descendants du magistrat cherchant à maintenir et à stimuler leur capacité d’affrontement vis à vis de leurs adversaires, un ensemble d’autres familles influentes dans la ville, qui se relayent à l’opposition. Pour ce faire ils opposent la situation politique atteinte par leur famille au long du temps dans l’espace politique (leader de parti, leader de l’Assemblée législative, direction d’organes publiques, etc.) à celle des autres familles, dont les représentants n’ont jamais pris des grand envols politiques, une fois qu’ils n’avaient pas, comme les descendant du desembargador, la politique comme une activité à plein temps. Cette stratégie leur a assuré des opposants locaux qui, ayant l’activité économique comme activité principale, ne pouvaient pas se présenter aux électeurs comme un groupe guidé par la morale et les intérêts du service public, demeurant connus sous plusieurs noms de famille qui se succédaient dans la politique locale. Les descendants d’Antonio Augusto, en revanche, ont vu leur nom s’enraciner comme une marque politique de la région. Pio Canêdo, originaire de Muriaé et dans l’activité politique depuis les années 20, remplaçant son oncle, qui de son coté avait substitué son père, celui-ci étant le neveu d’un homme d’État de l’Empire, est très explicite sur le sujet : « L’homme politique vie toute l’année l’expérience des problèmes locaux. Il est le canal des revendications municipales. Il ressent de près tout ce qui concerne la vie de la municipalité. Il en est tout autrement avec l’homme d’affaires(…). L’homme d’affaires n’a pas de devoirs de solidarité et d’obligations vis à vis de la collectivité. Il n’a que son entreprise, une obligation avant tout financière ( ) ».
Dans la politique locale, l’affrontement entre les deux factions, accentué par des tensions qui donnent à toutes deux des droits plus ou moins équivalents, a permis leur alternance dans le pouvoir grâce à des élections compétitives où le pourcentage de votes nuls et blancs est infime ( ). « La rivalité locale préserve le pouvoir politique », déclare encore Pio Canêdo. Cette logique, qui oppose des figures allégoriques de domination en incarnant des vengeances personnelles (« Nous avons gagné lors des élections. Nous sommes vengés », dit un électeur quand il a appris la victoire de sa faction dans les urnes ( )), c’est ce qui, depuis le XIXème, donne du sens à la vie politique de la région. Cela a, de plus, rendu difficile la survie dans la ville de partis avec des plates-formes idéologiques tout en étiquetant les deux factions avec des sigles de partis « idéologiques », mais qui ont changé d’appellation selon le contexte historique : Conservateur X Libéral, pendant l’Empire (1822-1889) ; UDN (Union Démocratique Nationale) X PSD (Parti Social Démocratique), pendant la période 1945-1965 ; Arena 1 X Arena 2, de 1965 à la fin des années 1970 ; PMDB X PTB, depuis les années 1985 ( ). « Pour que les gens suivent un nom il faut qu’il soit attaché à un parti, dit José Canêdo. Il faut faire danser la baiana qui cache un homme dedans ( ) ».
Si l’on considère le temps d’action de ce groupe familial dans la politique mineira, la stratégie de ses membres pour diffuser et enraciner les représentations qu’ils veulent donner d’eux même jouent un rôle non négligeable pour la compréhension des rapports politiques dans le Minas Gerais. Car ils ne sont pas un cas unique. Dans le Minas Gerais, le pouvoir a été exercé depuis toujours, dans les postes les plus importants, presque exclusivement par des groupes familiaux de même type d’origine sociale et de tradition dans l’exercice du pouvoir ( ). Dans la composition actuelle du corps de l’État on retrouve encore les membres des anciens groupes – quand ils ne sont pas dans les postes les plus élevés, comme l’actuel gouverneur de l’État ( ) – agissant comme intermédiaires pour le chois de ceux, outre eux-mêmes – qui s’élèveront dans la politique du Minas Gerais (Hagopian, 1990). S’élever dans le Minas signifie s’élever dans la politique nationale, il suffit d’examiner le nombre de présidents de la République et de vice-présidents (6 et 7 respectivement) originaires de cet État, mais aussi la forte représentation mineira dans les principales fonctions dans tous les Ministères au long de l’histoire ( ).
Le succès de l’élite mineira dans la préservation du pouvoir est connu comme « le secret du Minas », de quoi se nourrissent les hommes politiques mineiros (Arruda, 1990 et 1992). On considère ce secret comme allant de soi et comme tel il est continuellement légitimé par les médias : « Qui peut comprendre le code des mineiros ? », interroge un chroniqueur du journal O Estado de São Paulo , l’un des plus renommés du Brésil. En ce sens, et considérant que la bibliographie sur la mentalité de la politique mineira est symptomatiquement plus vaste que les études empiriques sur les formes d’action de ses élites, les actions des hommes politiques mineiros deviennent objet de réflexion politique.
La politique étant conçue comme l’art de jouer à court terme, en raison des instabilités facilement perçues dans le champ institutionnel, dissimule ainsi le fait que, au-delà des instabilités, le champ institutionnel dispose aussi de moyens d’agir suivant les règles spécifiques d’un jeu assez complexe. C’est un champ tendu, instable, où ceux, moins bien préparés, ont des difficultés à maintenir une position adéquate par rapport au centre du pouvoir, parce qu’ils sont devancés par les hommes plus expérimentés, qui dominent mieux les préceptes existants, dont la plupart ne sont pas des règles écrites. Il est vain d’insister sur le long temps de préparation exigé pour dominer ces règles. Non seulement à cause de la difficulté pour les apprendre, mais parce leur application exige une habilité tout spéciale.
Or, en général c’est encore à l’intérieur des familles et des réseaux de connaissances qu’on acquiert cette habilité, transmise sous le nom de « vocation » (domaine de règles), avec les convictions idéologiques et tant d’autres, parmi lesquelles la conviction que dans une « famille d’hommes politiques » tout et tous doivent être au service du public.
Les deux cérémonie analysées dans cette étude attirent l’attention par le fait qu’elles mettent en rapport étroit des événements familiaux et des événements de la politique locale, animées par des personnes appartenant à un groupe familial qui occupe des postes administratifs importants depuis des générations et qui ont détenu un pouvoir électoral pas négligeable lors des grandes élections dans le Minas Gerais. En ce sens, elles permettent de saisir le côté actif de la connaissance pratique de certains hommes politiques mineiros, sur une scène autre que celle de la politique officielle.
La description des cérémonies est basée sur des entretiens réalisées auprès des membres de la famille en question, sur des articles de la presse locale et sur mon expérience personnelle, car je suis moi même membre de la famille.


1. La pratique rituelle devant la mort et la reproduction familiale dans la politique

L’examen de la cérémonie d’enterrement nous montrera que ce qu’il y est en jeu, avant tout, c’est le maintien de la cohésion et de la solidarité familiales, qui constituent des éléments fondamentaux pour des détenteurs d’un patrimoine politique pris dans une histoire de longue durée, car seulement à l’aide de liens forts et durables ils sont capables de se reproduire.
En fait, c’est la manière dont les acteurs du rituel font appel aux sentiments de cohésion et de solidarité familiales qui nous permet de saisir, quand on observe la cérémonie des funérailles, la distinction existante entre la transmission d’un capital politique et celle du capital économique. En effet, à la différence des héritiers d’un capital économique accumulé, les membres d’une « famille d’hommes politiques » ne sont pas soumis au fait que seuls les héritiers légitimes ou testamentaires puissent jouir de l’héritage du défunt. Dans une « famille d’hommes politiques », non seulement les membres de cette famille, mais l’ensemble de la parenté, dès le cimetière, hérite des biens symboliques du défunt. Il faut, cependant, pour cela qu’ils s’inscrivent dans la conscience d’être des héritiers. Car en tant que tels, ils doivent assumer des obligations auxquelles ils ne pourront plus se dérober, puisque renoncer à ces biens symboliques signifierait la mort politique du groupe. Ce sont ces biens symboliques qui donnent la cohésion nécessaire à la famille, en même temps qu’ils garantissent les rapports de clientèle qui sont à la base de la circulation d’informations, des échanges de services, de l’aide réciproque. Parce qu’on appartient à la famille (de sang ou métaphorique) on est ouvert à tout faire pour les autres et ces échanges sont à la base du pouvoir social d’une « famille d’hommes politiques », donnant une signification à l’activité politique.
Le récit exposé ci-dessous est un exemple d’une des formes de transmission de la cohésion familiale. On en retient que, puisque les biens symboliques ne sont pas transmis de façon automatique, chacun doit se considérer un héritier avant de recevoir l’héritage, ce qui implique un apprentissage préalable que l’on a fait au sein du groupe. Je m’intéresserai ici à l’enterrement d’Augusto Alves Pequeno, l’un des membres de la famille étudiée, mort en 1992. Le récit m’a été raconté par un homme politique en début de carrière. Médecin, il a un curriculum vitae professionnel centré dans le domaine des politiques publiques liés à la santé, à l’assainissement et à l’éducation. Il était cousin en cinquième degré du défunt.

Augusto était médecin et ancien vereador ( ). Du côté de sa mère, il descendait d’un grand propriétaire terrien (le baron du Alto Muriaé). Par son père, il a toujours été considéré comme un homme illustre dans ville, car il appartenait à la famille d’un important homme d’État de l’Empire (Antonio Hermeto Carneiro Leão, le Marquis du Paraná) et du sixième président de la République brésilienne (Afonso Augusto Moreira Penna).
Dans le désarroi provoqué par sa mort, son fils aîné, propriétaire de terres d’un héritage venant de sa mère, décide de l’inhumer dans un grand cimetière de l’Église Catholique, dit le « cimetière du haut ».
Or, il s’avère que cette décision allait à l’encontre des coutumes du côté paternel de la famille d’Augusto, dont les membres étaient inhumés dans un petit cimetière public, celui « d’en bas ». Inhumer les morts de la famille dans un cimetière public a d’ailleurs toujours été un moyen pour les hommes politiques de la ville d’afficher leur différence.
Afonso, cousin en troisième degré d’Augusto, âgé de 89 ans, ayant pris connaissance des intentions du fils d’Augusto, fut très inquiet et commença à mobiliser l’ensemble de la famille sur le problème de l’emplacement de l’inhumation. Ayant beaucoup de difficulté à se mouvoir, il chercha à reverser une situation qui lui semblait très grave grâce à l’aide de son fils cadet, un des homme politique de la famille, qui débutait dans la carrière politique. La situation semblait pourtant être irréversible une fois que toute la préparation des funérailles avait déjà été effectuée. Mais Afonso ne prit guère de repos tant qu’il ne réussit pas à faire transférer l’enterrement à l’autre cimetière.
Ce transfert n’était pas une affaire simple, à commencer par le fait que la sépulture du père d’Augusto, située au cimetière d’en bas, était assez réduite. Le tombeau nécessitait donc d’être agrandi. En plus, la cérémonie des funérailles avait été fixée pour le lendemain matin, ce qui signifiait que les aménagements devaient être effectués pendant la nuit. Convaincre l’ouvrier de travailler en dehors de sa journée de travail ne fut, non plus, chose facile. Par ailleurs il fallait obtenir une licence auprès de la mairie pour l’agrandissement de la sépulture, sans oublier la nécessité de régulariser la situation vis à vis du cimetière catholique.
Malgré tout, voulant à tout prix empêcher un événement qu’il considérait comme désastreux, le vieil homme conduisit, d’une démarche hésitante et inquiète, le fils du « cousin Augusto » jusqu’au cimetière public, accompagné de la famille et de quelques amis. Il lui montra le tombeau de son grand-père, de son grand-oncle, de ses arrières grands-parents (dont les rues de la ville ont hérité les noms) et mit l’accent, lors de son argumentation, sur les places qu’ils avaient occupées dans l’espace social et l’importance politique de chacun d’entre eux. Il fit également remarquer que tous les membres de la famille décédés et réunis dans ce cimetière avaient en commun le fait d’avoir été des personnages politiques illustres de la ville. Bref, Augusto n’était pas un anonyme. Dans un cimetière public, « très personnalisé », d’après Afonso, tous les morts se connaissaient et était connus du défunt. Il était nécessaire qu’ils soient également connus par les parents vivants afin qu’ils puissent mieux se situer dans le temps et dans l’espace social et politique.
C’est ainsi qu’Afonso réussit à obtenir l’accord du fils du cousin Augusto pour le transfert de la cérémonie des funérailles. Pour cela, le jeune homme dû effectuer des démarches extrêmement pénibles mais finalement il fit que son père se joigne à ses ancestraux, dans le même cimetière. Et lui-même s’est rallié à ses parents vivants.

Au moment des funérailles d’Augusto, son cousin Afonso a investi la charge de chef de cérémonial d’un rituel familial chargé de marquer, de manière virtuelle et pérennisée, l’existence de la « famille d’hommes politiques », unie dans cet espace délimité du cimetière public( ). Face à un péril imminent pour la cohésion – l’oubli – il a agi, ramenant l’histoire du groupe à ses membres. Sans accorder aucune connotation nostalgique à son acte, Afonso cherchait en fait à rétablir le passé dans le présent, imprimant une valeur qui le permette de s’inscrire dans la continuité.
J’attire l’attention sur le fait qu’Afonso, l’homme le plus âgé de la famille, n’a jamais été homme politique. Cependant il a été le petit-fils, le neveu, le frère, l’oncle et le père d’hommes politiques. Au moment de ces événements il a quand même révélé l’incorporation d’attitudes qui, plus que les programmes de campagnes électorales soigneusement préparés, rendent intelligible la permanence de la famille dans le politique. Il montre par son attitude que la reproduction politique ne peut exister que si elle est pratiquée et agissante. Et elle ne peut l’être que si elle rencontre des individus qui, comme Afonso, sont en mesure de la prendre en charge, et sont capables d’assumer les places qui leur sont destinées dans les moments d’incertitude. Autrement dit, il s’avère indispensable que quelqu’un se dispose à faire ce qu’on attend de lui et qu’il attend de lui-même. Quelqu’un qui, disposant d’expériences antérieures, soit apte à faire revivre une histoire (Bourdieu, 1980).
En acceptant le transfert et l’inhumation du corps de son père dans un autre cimetière, le fils d’Augusto reconnaît sa place dans la famille et peut finalement assumer son identité sociale face à l’ensemble des participants de la cérémonie, dès lors qu’il s’empare de son héritage symbolique. En outre, le sentiment d’un devoir à l’égard de la famille paraît transparaître lors des élections qui eurent lieu quelques temps après les funérailles, quand, pour la première fois, il apporta à un cousin candidat un large soutient financier et un travail considérable auprès des cabos—eleitorais, qui se solda par un important gain de voix. Il suffit de citer le fait que dans le village voisin à sa propriété – Bom Jesus – le candidat de la famille a obtenu 96% des voix (Source – Cartório Eleitoral de Muriaé – Eleições 1994).
Le fils d’Afonso, l’homme politique de la famille, accompagnant son père pendant les événements, avait pour sa part agi en auxiliaire du rituel. Son sens d’homme politique lui a permit de ressentir l’importance de sa participation, à tel point qu’il me l’a signalé lui-même sans aucune suggestion de ma part. Ceci ne signifie nullement qu’il ait compris qu’il contribuait à produire du sens à la représentation politique d’un groupe familial qui, pour continuer à exister, nécessite de la pratiquer aux moments d’incertitude.
Dans ce cas, les champ des incertitudes se constitue autour des participants de la cérémonie, les membres de la famille et une partie de la population des électeurs de la ville, qui ont accepté le déplacement des obsèques et y ont participé, légitimant par ce biais l’existence d’une famille d’hommes politiques prestigieux suffisamment unie. Ainsi, la reproduction, aussi bien sociale que politique, n’est pas unilatérale. Elle ne peut exister qu’au moyen d’une complicité des individus qui travaillent conjointement pour lui fournir un sens.
Grâce à cette complicité, la mort a été neutralisée et a fini par ne pas être perçue comme une catastrophe politique pour la famille. La cérémonie des funérailles a, au contraire, renforcé le pouvoir politique dont disposait le groupe familial ainsi que sa maîtrise du temps : la force de la présence symbolique remplaçant l’absence causé par la mort biologique. Dès lors, les sépultures de cimetières contribuent à nourrir la mémoire familiale et celle de la population de la ville, qui étaient auparavant nourries seulement par des portraits, des cortèges et des noms de rue. Les tombeaux des morts prennent possession des vivants par un rituel transformé en acte historique (Bourdieu, 1980).

2. Le métier politique dans le cérémonial de commémoration du « Jour du Muriaense »

Une famille détentrice d’une mémoire politique importante et qui dote ses membres d’une parenté considérablement utile n’est par elle même pas en mesure de réaliser seule l’exploit de la pérennisation de ses membres dans le champ du pouvoir. Elle a besoin non seulement de réactiver sa propre mémoire familiale, comme le démontre la cérémonie du cimetière, mais aussi de réactiver celle de la population et se préparer pour le rituel majeur des élections qui a lieu à des dates précises. Pour ce faire, elle utilise des rituels préventifs visant, pendant leur déroulement, à rappeler des engagements et des obligations, bref à déterminer des pratiques sociales et politiques.
La cérémonie que je vais décrire est l’un de ces rituels préventifs. Il s’agit du « Jour du Muriaense », institué l’année du centenaire de la ville de Muriaé (1955) et qui depuis est célébré tous les ans, le 6 septembre( ). En ce jour, décrété congé municipal, la ville se lève et ce couche en ambiance de fête.
Les festivités se passent tous les ans de la même manière, des scènes s’alternant comme dans une pièce de théâtre. Dès l’aube la population de la ville est réveillée par une fanfare qui courre les principales rues sur un camion annonçant « leur jour » aux muriaenses. Durant la matinée, il y a un hommage à Antônio Canêdo, le maire qui a institué la date. Suit un déjeuner amical organisé pour rendre hommage à ceux qui, bien que natifs de la ville, vivent ailleurs et lors de la fête sont considérés comme des muriaenses absents. Finalement, en fin d’après-midi, à 17 heures, la seule cérémonie officielle de la journée a lieu dans la mairie. Il s’agit de la remise du titre de citoyen honoraire aux non-muriaenses qui rendent des services notables à la communauté.
L’existence de ces commémorations se doit au fait que la famille du créateur du « Jour du Muriaense » s’engage dans leur promotion, de sorte que la fête tourne au tour de sa figure symbole : Antônio Canêdo, médecin, député de l’assemblée constituante en 1946 et maire de la ville entre 1955 et 1960. Il est mort tragiquement, en 1960, alors qu’il se préparait à quitter sa charge et se présenter à nouveau comme député. L’événement a ému l’ensemble de la ville et c’est pourquoi sa figure a pu être utilisée pour donner le sens initial à la célébration annuelle de la date. Aujourd’hui cette commémoration est devenue un événement obligatoire dans la ville et de la ville, la population l’attendant tous les ans. Mais l’enthousiasme pour la fête souffre des variations selon le groupe politique qui détient le pouvoir municipal. Si la famille du Dr. Antônio ou ses partisans, la figure de leur symbole apparaît plus fortement. Si l’autre faction est à la mairie, tout un effort est fait pour affaiblir l’image de l’ancien maire.
Je me suis servie de deux documents produits par la fête pour la décrire : le quotidien Tribuna Popular, du 12/09/1992 (une année où un représentant de la famille du Dr. Antônio était maire), et une invitation pour les commémorations de la fête de 1994, quand l’alternance de pouvoir s’est faite. Le récit du déroulement de la cérémonie est issu de mes propres observations de la fête à laquelle j’ai assisté plusieurs années de suite.

Les Muriaenses fêtent leur jour
La commémoration, déjà traditionnelle, du Jour du muriaense, a réuni les autorités et la population face au buste en bronze du fondateur du 06 de septembre, Docteur Antonio Canêdo, afin de lui rendre les hommages qui lui sont dus pour avoir institué à cette date le Jour du Muriaense
Les festivités ont débuté dès l’aube à cinq heures du matin. A huit heures, sur la Place Santos Dummont en face du Palais de Justice, l’on a hissé les couleurs: le drapeau national par le maire Christiano Canêdo, celui de l’État par l’ex gouverneur de Minas , le docteur Pio Soares Canêdo, et celui de la ville par l’orateur officiel de la cérémonie, Docteur Antonio José Monteiro de Castro Neto
Après le discours de l’orateur officiel, le chef d’orchestre Hélio Téofilo dos Santos a fait jouer le « toque de silence » qui a été suivi de l’hommage des élèves de l’École Publique Dr Antonio Canêdo qui ont déposé des gerbes et chanté l’hymne à leur patron éternel (Tribuna Popular, 12/9/92).

Traditionnellement, du moment que, comme l’année de cet article, les partisans du Dr. Antônio sont au pouvoir, les commémoration de la fête se caractérisent par une fanfare qui accompagne un défilé de casernes et d’écoles publiques municipales de la ville, dans une marche aboutissant au buste de « leur patron éternel ». (Cependant,quand la faction opposante est au pouvoir, il n’y a pas de défilé, les cérémonies de la matinée se réduisant à la musique à l’aube et aux discours face au buste du Dr. Antônio). En ces années-là la cérémonie est vraiment complète, une fois qu’avec le soutient de la mairie, les écoles se préparent tout au long de l’année pour le grand événement, chacune proposant un thème différent pour le défilé.
Les thèmes du défilé sont toujours en rapport avec un événement historique – où l’aspect moral, politique ou culturel en est valorisé et que chacune des écoles cherche à inculquer de manière exemplaire. La suite de l’article y fait référence :

L’École Municipale Professeur Esmeralda Viana, la première école construite en zone urbaine est l’une des réalisations du gouvernement Christiano Canêdo et João Braz (…). Les élèves ont cette année rendu hommage au bicentenaire de l’Inconfidência Mineira, un mouvement nativiste [pour l’indépendance du Brésil], ayant des idéaux libertaires, inspirés de la Révolution Française. En dépit des crises que connaît aujourd’hui le pays, l’idéal de liberté ne peut pas mourir. Et l’actuelle administration a planté a planté cette graine dans le quartier Inconfidência en inaugurant l’école Esmeralda Viana, parce qu’ÉDUQUER c’est LIBERER !
Le défilé de l’école municipale Professeur Stella Fidélis avait pour thème l’Indépendance du Brésil. La plus récente des nouvelles écoles construites par l’administration de la ville a, quant à elle, retracé le processus historique de libération du pays qui a débuté en 1808 et atteint son point culminant avec le « cri de l’Ipiranga » en 1822. (…)
l’École Municipale Professeur Elza Rogério, située dans le quartier Gaspar est l’une des perles de l’administration actuelle, tant par son esthétique que par sa fonctionnalité. Aussi a-t-elle organisé un défilé intitulé l’Éducation : de la Découverte à la Municipalisation, où chaque classe raconte l’histoire de l’Éducation depuis l’arrivée de Cabral, en passant par le rôle des Jésuites – les premiers éducateurs du pays -, le Brésil Colonial, le Brésil Monarchique et le Brésil Républicain, le tout s’achevant par la Municipalisation de l’Éducation qui eut lieu sous le Gouvernement Christiano Canêdo et João Braz et qui permit, entre autres bénéfices, le renouvellement permanent des enseignants, la conservation du réseau scolaire, la création des écoles du premier cycle, l’augmentation des classes de deuxième cycle, la création des cours préparatoires, des concours publics et l’accroissement significatif du nombre des élèves passé de seulement mille sept cents élèves en 1988 à cinq mille huit cents actuellement.

On observe facilement que sous le couvert d’un sujet universel, comme l’histoire de l’éducation, les thèmes des défilés louent les figures politiques du moments, en vantant leurs actions politiques, dans une continuité que les insère dans une trame historique éternelle. La description du défile de l’école Elza Rogério, en est exemplaire : l’actuel maire de la ville est mis au même plan historique que Pedro Álvares Cabral, celui qui a découvert le Brésil.
Après le défilé, la famille et les partisans de la faction Canêdo, réunis face au buste du Dr. Antonio (les représentants officiels ne comparaissent à cette cérémonie que s’ils appartiennent à la même faction), exaltent, chaque année, la figure de celui à qui l’on rend hommage et ses principales réalisations à l’administration municipale et à l’Assemblée constituante de 1946. On mentionne généralement les grands travaux publics réalisés dans les favelas et les banlieues pauvres, mais aussi sa proposition de Loi pour le Soutient de l’Enfance, bannière pour évoquer ses oeuvres de caractère social et éducatif, comme la Maison de l’Enfant qui depuis 1947 offre une assistance médicale aux mères et distribue du lait aux enfants pauvres. Les discours réaffirment, d’un ton d’affrontement, le compromis du groupe politique pour la continuité de ces oeuvres en comparant les administrations de deux factions.
La fête continue par un déjeuner de confraternité. En apparence le déjeuner ne semble pas être une activité politique, puisque le soin de son organisation est laissé à des personnes sans rapport explicité avec aucun des groupes politiques de la dispute locale. Il repose sur ces personnes l’assurance d’une reconnaissance de l’enracinement local. De fait, ce déjeuner existait bien avant la création du « Jour du Muriaense ». À l’origine une tradition d’une importante famille de Muriaé, qui profitait des congés nationaux de la Semaine de la Patrie (le 7 septembre est le jour de l’indépendance du Brésil, la fête nationale) pour réunir les amis et les parents n’habitant pas la ville, le déjeuner s’est ouvert, après l’institution du « Jour du Muriaense », à tous les muriaenses absents. Aujourd’hui encore son organisation est commandée par une des femmes de cette famille. Le même article de la Tribuna Popular nous informe de la présence de 400 personnes au « Déjeuner de Confraternité des Muriaenses Absents, moment culminant des commémorations du Jour du Muriaense » de 1992.
La fête se termine par la seule cérémonie officielle du jour : la remise du titre de citoyen honoraire, prévu par une loi municipale instituée en 1955 par le créateur de la date. Il s’adresse à ceux qui habitent la ville sans en être originaires. L’indication des personnes honorées par le titre est faite par les vereadores, qui considèrent lors de leurs choix les intérêts du parti politique qu’ils représentent et celui des électeurs. Chaque vereador a le droit de proposer un nom, ce qui donne une moyenne de 20 honorés par an.

Lors de la célébration du « Jour du Muriaense », trois aspects attirent l’attention si l’on veut faire une analyse de « l’équilibre des tensions toujours mouvant », selon le sens donné par Norbert Elias (1994, 152-3), qui s’établit entre ce groupe familial, la faction que s’y oppose et les électeur de la ville.
Le premier se réfère à l’hommage tenu auprès du buste en bronze du Dr. Antonio, localisé devant le Forum de la ville, et qui inscrit dans une continuité parfaite l’espace public et l’espace privé : il met côte à côte, dans la place, les écoles publiques, les autorités officielles et la famille de celui à qui l’on rend hommage. Ces derniers sont vus comme des hommes politiques, appartenant à un parti politique, par lequel ils disputent des élections compétitives pour les postes de l’État. Il s’agit dès lors de montrer l’honoré, ou ses héritiers politiques, dans le cadre de la modernité politique et de l’affrontement. Les liens de parenté qui ont permis aux maires de la famille l’obtention de fonds fédéraux et de l’État pour la réalisation des travaux ne sont pas mentionnés dans les discours. « Je me souviens bien de l’époque où votre oncle [Dr. Antonio] était le maire (1955—1960). Nous avons souvent été en rapport parce qu’il voulait réaliser les travaux du fleuve Muriaé( ) », m’a déclaré en entretien Gilberto Canêdo de Magalhães, ancien directeur du Département National des Ponts et Canaux. « L’agrandissement des réseaux d’égout et d’eau potable n”a été possible pendant mon administration que parce que Afonso [frère] avait eu une longue expérience dans la Secretaria de Travaux Publics de Rio de Janeiro( ) ». Quand les travaux sont énumérés dans les discours, ils ne servent qu’à souligner la nature des obligations de chacun des présents (de services publics en échange de votes et de soutient politique) et à indiquer les raisons de l’adhésion à une faction politique et non à l’autre.
Il vient de là la manière dont sont faites les invitations à l’hommage : elles montrent l’importance que revêtent les pratiques de deux factions concurrentes pour maintenir la tension dans l’espace politique.
Ainsi lorsque la famille de l’honoré est au pouvoir, l’invitation à l’hommage est adressé par la mairie. Le maire, par ailleurs, distribue des uniformes aux élèves du réseau public afin qu’ils puissent défiler avec leurs écoles sous le regard des leurs familles – qui descendent des quartiers populaires, fières de voir ses enfants, petits enfants et frères prenant possession des rues comme les personnages les plus importants de la fête. « J’aime à voir le sourire des mères, des grands-parents édentés, heureux d’admirer le défilé des écoles crées par l”oncle Antonio e moi-même. Cela m’émeut vraiment » déclarait l’un des anciens maires (idem).
Si la famille ne détient pas le pouvoir politique, l’invitation à la fête est alors lancée par la Maison de l’Enfant – crée en 1947 et dirigée depuis toujours par des membres de la famille – le principal symbole légitimant les échanges politiques pratiqués par la famille afin de maintenir ses rapports de clientèle. Les mères des quartiers populaires étant invitées par la Maison de l’Enfant se sentent en devoir de comparaître à l’hommage avec leurs enfants, car ils ont été soignés gratuitement par des médecins sous l’égide de feu Dr. Antonio depuis le pré-natal, recevant gratuitement du lait jusqu’à trois ans. La Maison de l’Enfant envoie aussi des invitations à de personnes habitant d’autres régions du Brésil et du monde, à tous les muriaenses qui figurent dans les registres municipaux. Cette invitation est signée par le président de la Maison, toujours une femme de la famille, ainsi que l’on peut observer ci-dessous :

Cher Monsieur
Traditionnellement, le 6 septembre, les amis du Dr. Antonio Canêdo, afin de démontrer leur gratitude éternelle, se réunissent pour lui rendre les hommages de toute la ville où, durant les 47 années de fonctionnement de l’une de ses oeuvres — la Maison de l’Enfant — plusieurs générations ont reçu l’assistance et le soutien de ses services.
Nous vous convions, ainsi que votre famille à participer aux solennités prévues pour l’occasion.
Date : 06 septembre 1994.
Heure: 09h00.
Adresse : Place Lincoln dos Santos (face au Palais de Justice).
Votre obligé
Theresinha Ilva Canêdo Passos
Présidente de l’APMI, responsable de la Maison de l’Enfant

La réussite de cet hommage exige ainsi un travail considérable de la part de la famille Canêdo, ainsi que le suggère dans une interview l’épouse d’un des hommes politiques appartenant à cette famille : « A chaque veille du « Jour du Muriaense », C. ne tient plus en place. Il a le sommeil agité et téléphone `a toute la ville pour rappeler l’hommage. A cinq heures du matin il est déjà debout, très tendu, pour assister à la mise en place de l’orchestre dès l’aube( ) ». Une autre femme de la famille a raconté que « T. a téléphoné chez nous plusieurs fois de suite, pour nous dire que nous devions tous nous rendre à l’hommage de l’oncle Antonio, même le bébé (…) Nous y sommes tous allés de peur qu’il ne se fâche( ) ».
Un autre interviewé( ) voit la cérémonie comme une sorte de sondage électoral préliminaire, où la présence d’un grand public à l’hommage serait significative d’une victoire probable aux élections des partisans du Dr. Antônio.
La présence des invités à l’hommage est favorisée par le jour férié national du 7 septembre (anniversaire de l’indépendance du Brésil) qui permet le déplacement de ceux qui habitent dans d’autres régions. C’est la raison du déplacement du jour de la commémoration : la ville a été émancipé un 16 mai et on le fête le 6 septembre. Ainsi, comme l’avait voulu Antônio Canêdo, la date est devenue un moment de rencontre, où l’on revoit et embrasse les parents et les amis.
Les rencontres ont lieu lors du déjeuner de confraternité, deuxième aspect relevant à l’analyse. Contrairement à l’hommage rendu dans la matinée, ce déjeuner se veut une célébration de l’harmonie, car la faction opposante comparaît et contribue au succès des célébrations, une fois que se trouvent également présents au déjeuner des électeurs potentiels qui n’habitent pas la ville. Ainsi, les représentants de deux factions fraternisent au côté des amis, des mères, des enfants, des grands-parents, cette fois à la dentition bien soigné : n’y sont présents alors que les membres des familles aisées. Les tensions ressenties dans la matinée lors de l’hommage peuvent ainsi être équilibrées.
Ceci est garanti par le fait que depuis des années l’organisation du déjeuner repose sur les mêmes règles : le local est toujours un club ou une association et les femmes chargées de sa préparation n’appartiennent pas aux familles politiques qui s’affrontent. L’idée de confraternité, l’harmonie, est objectivée par l’absence d’éléments emblématiques (soit dans la décoration, soit dans les discours). Toutefois, l’image du Dr. Antonio, bien que non visible, apparaît dans la figure de ses parents, toujours présents.
L’équilibre ne peut donc être vraiment ressenti que lors de la remise de titres de Citoyen Muriaense, à laquelle, par l’intermédiaire des vereadores, les représentants des deux factions sont obligés d’être présents. Cet équilibre des tensions marque le début de la préparation pour le rituel majeur, c’est à dire, les élections proprement dites.
En effet, la fête a lieu un mois avant les élections brésiliennes qui se réalisent le 4 octobre, pour le premier tour, et le 15 novembre pour le second. Ainsi, lors du « Jour du Muriaense », dans l’émotion des retrouvailles et la réactivation des liens d’identité, se prémunit-on, sans aucune intention préméditée, contre la possibilité que les titres des électeurs qui n’habitent plus dans la ville soient transférés dans d’autres régions. À l’inverse, à partir de la remise du titre de Citoyen Muriaense, la personne honorée est confrontée aux devoirs de la citoyenneté civique, définie localement dans la reconnaissance de l’individu comme appartenant à la communauté. En acceptant l’hommage, le citoyen se sent dans l’obligation de s’inscrire sur les listes électorales locales, et voter pour l’un des candidats de la ville( ). Il s’agit donc de transférer leurs titres d’électeurs d’autres localités à Muriaé( ). Ceci sert à expliquer la présence aux urnes de 69,5% de la population de la ville (58.853 électeurs), ce qui est un chiffre important si l’on compare à celui des villes nouvelles, originaires du boom industriel des années 1950, où la dispute familiale n’existe pas. Dans le Minas Gerais, 60% de la population en moyenne s’inscrit dans les listes électorales, d’après les données fournies par le Tribunal Régional Électoral de Minas Gerais.
La fête contribue ainsi à perpétuer l’ensemble des rapports constitutifs de l’ordre politique, une fois que grâces à elle on obtient une réponse favorable de la part des électeurs à la sollicitation d’avoir leur présence aux urnes, quelle que soit la faction choisie. Ceci explique le petit nombre de votes nuls aux blancs à Muriaé. Car, pour reprendre le raisonnement de Michel Offerlé (Offerlé, 1995), pour qu’il y ait des élections il faut qu’il y ait préalablement un travail de mise en forme en acte de la catégorie de citoyen (investissement de formes matérielles, juridiques et symboliques), il faut surtout que les protagonistes de l’élection – électeurs, candidats et commentateurs – trouvent un intérêt suffisant pour agir : « Car le citoyen ici comme ailleurs n’est jamais seul. Il agit autant qu’il est agi, puisqu’il participe avec d’autres à la production continue de l’institution (Offerlé, 1994, 2) ».
La commémoration du 6 septembre, bien qu’organisée, en grande partie, de forme officieuse, délimite l’activité politique par la mise en place d’actes multiples, en lui conférant une existence concrète et donc en sens réel, en ce qui concerne la motivation pour voter. Olivier Ihl souligne à ce propos que « si l’on vote pour un candidat, l’on vote plus encore pour l’institution même du vote. Autrement dit, à mesure qu’il se renforce, le sentiment du devoir civique oblige les opinions à s’exprimer dans, par, mais également pour l’institution électorale (Ihl, 1977, 17) ». Pour le renforcement du sentiment civique, les liens sociaux se mélangent aux liens politiques, dans un rituel qui rappelle les engagements et les obligations, en apportant de l’espoir en plus. Ainsi le déroulement du rituel et sa gestuelle se réalisent-ils dans le cadre d’un présent mêlé à un passé qui se confondent dans la promesse de futur, auquel s’attache l’espoir de réalisations plus belles et plus grandes encore, ainsi qu’on peut le noter à la lecture de l’article cité auparavant : « Un défilé grandiose (…) où les groupes distincts [les élèves] racontent l’histoire de l’Éducation depuis l’arrivée de Cabral, en passant par les Jésuites – les premiers éducateurs -, par le Brésil Colonial, le Brésil Monarchique, le Brésil Républicain jusqu’à la Municipalisation de l’Éducation qui eut lieu sous le Gouvernement Christiano Canêdo » (Tribuna Popular, Muriaé, 12/09/1992).

3. Symboles et allégories

Les funérailles et la commémoration d’une date de confraternité entre les habitants d’une ville sont, à première vue, deux cérémonies ayant des fonctions différentes. Pourtant, lors du déroulement des deux événements décrits, l’énergie manifestée par certains hommes et la présence attentive et active d’autres qui les accompagnent font voir que leurs fonctions dépassent celles de se réunir pour rendre hommage à un défunt ou de fraterniser lors d’une date de fête. La mobilisation formée autour des événements fait changer leurs fonctions originales, leur apportant un sens nouveau. Dans les deux cas, l’affairement des membres de la famille d’hommes politiques n’a pas simplement eu pour fonction de signifier, mais aussi de contraindre, de rappeler des engagements et des obligations, de créer des conditions pour l’existence d’un intérêt « désintéressé » par la politique, bref, de déterminer des pratiques sociales et politiques. En ce sens, les deux cas décrits deviennent des éléments importants pour la compréhension des formes de politisation des relations sociales dans une région particulière du Minas Gerais.
En cette fonction, les cérémonies présentent des traits similaires. Il convient de signaler, en premier lieu, la marge d’improvisation qu’elles laissent à ceux qui y prennent part. C’est, par exemple, ce qui permet, alors même que les gens assistent à la scène connue et répétitive d’un enterrement, de transmettre l’idée qu’un individu ne doit pas être considéré que par lui-même, mais en fonction de sa place et de son rôle dans la structure familiale, dans la durée. Cette idée est exprimée sous forme d’un rappel imposé du respect qui est moralement dû aux parents morts et aux ancêtres, ce qui fait que les funérailles finissent par créer une sorte d’échange à l’intérieure de la famille, une identification entre les générations, faisant des obligés à travers une « sacralisation » de la famille. Quant au « Jour du muriaense », une partie importante de cette improvisation est laissée à la population, en ce que qui concerne le succès d’une commémoration qui appelle à des valeurs d’identité, capables de réactiver et de maintenir en équilibre la capacité d’affrontement de deux groupes familiaux dans l’espace politique. L’improvisation néanmoins, est provoquée par ceux qui détiennent la maîtrise pratique du sens des gestes, des mots et des émotions suscitées par des cérémonies qui réunissent de nombreuses personnes, autrement dit, par certains hommes politiques animés par les risques qui régissent leur conduite lors des situations d’incertitudes. Bref, des personnes qui détiennent la capacité de répondre aux situations pratiques et de s’adapter aux événements.
Mais c’est la complicité, pleine d’émotion, des participants qui, dans les deux cérémonies, fournit la chaleur humaine nécessaire à ce qui les soutient. Elle témoigne de l’existence de « moments sacralisés », par lesquels, pour reprendre la définition de Marc Augé sur les rites, il y a croisements de parcours, « ceux où notre trajectoire individuelle rencontre celle des autres (Augé, 1987) ». Il s’agit ici d’un croisement responsable de l’efficacité des stimulus déclenchés par ceux qui détiennent le savoir faire nécessaire à faire le jeu politique, c’est aussi bien le cas du cousin d’Augusto que des autres membres de la parenté présents à la fête du muriaense. En s’appuyant sur leurs expériences sociales et politiques, ils sont en mesure de dépasser l’événement lui-même pour en tirer profit pour la continuité d’une expérience politique, à travers la réminiscence d’une référence familiale. Enfin, l’on peut déceler dans les deux cérémonies les éléments considérés par les ethnologues comme constitutifs d’un rituel : la maîtrise du temps, la répétition et la formalisation des scènes, la dramatisation, la présence symbolique du sacré et la croyance des participants.
Mais ces deux rituels se différencient toutefois par un aspect très important pour la compréhension des actes qui favorisent la reproduction de l’ensemble des rapports constituant un ordre politique particulier. Les funérailles du « cousin Augusto », étant donné qu’il s’agissait d’un rituel pratiqué face à une menace de déséquilibre familial, ont fini par se transformer en symbole du pouvoir politique d’une famille, une fois qu’il faisait appel à son histoire à un moment d’incertitude et de risque imminent pour le capital politique du groupe. Lors de la fête du muriaense, le symbole politique devient plutôt une allégorie : il perd le sens évident pour signifier un concept général de pouvoir politique. L’histoire du politique familial incorporé dans le cimetière se converti en l’idée de son pouvoir, et selon le sens défini par Walter Benjamin, en métaphore sans histoire.
La différence se situe donc dans les effets politiques que produisent ces deux cérémonies, l’une renfermant un risque d’oubli et l’autre proposant des rites préventifs contre cette amnésie. En ce qui concerne le rituel préventif, la transposition d’un symbole en allégorie politique contribue à ce que les stimulus déclenchés par les hommes politiques atteignent la population de manière simplifiée, sans un passé, présent ou futur ordonnés chronologiquement. Ce « désordre historique » concourt à la persistance de signes génériques, contribuant également à occulter ce qui constitue le fondement de la représentation politique: le métier politique. Inversement, lors du rituel des funérailles, les dates sur les sépultures, la précision des noms et la relation des indicateurs qui orientent la construction du groupe familial dans le pouvoir apparaissent comme l’antithèse de ces signaux génériques. Ce sont des éléments qui visent à mette en avant, dans une élaboration du passé, la vocation familiale – la politique – la transformant en symbole de la famille. Quand la dernière est évoquée lors des discours ou des défilés qui s’adressent à un ensemble d’électeurs, sa signification est schématisée, et ne deviennent visibles que des signes abstraits représentant la croyance au pouvoir politique d’un groupe. Tel un caricaturiste qui dans le but de souligner une expression déterminée enlève plusieurs traits du corps dessiné, la réduction stylisée existant dans la fête décrite rend absents plusieurs traits ordonnateurs do métier politique, construits ici dans la durée et passant à travers plusieurs générations.
Dans un cas comme dans l’autre, on peut observer la dimension des instabilités et des possibilités historiques y contenues en termes politiques, qui ne peuvent se réduire à l’imédiatisme de l’application d’un code électoral, ou d’un idéal démocratique contrarié. Une observation pertinente des actions politiques cachées dans les rituels permettra de comprendre les formes de structuration de relations politiques bien particulières, capables d’aider dans une définition du sens dernier de l’exercice professionnel de la politique. Elles dévoileraient les actes symboliques qui légitiment de telles relations dans une société donnée, ce qui évite de reprendre le vieux débat sur l’archaïsme ou la modernité politiques. Car, comme le livre dirigé par Corbin (1994) l’avait déjà suggéré, pour qu’il y ait usages politiques de la fête, il faut bien que celle-ci existe préalablement et offre des cadres, des temps, des espaces, des symboles à cette « captation »

4 – Bibliographie
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NOTES

(1) Le Minas Gerais est l’un des 26 États de la fédération brésilienne et il se place parmi les cinq plus développés. Il est situé dans le centre du Brésil et jusqu’en 1950, d’après l’Anuário Estatístico do Brasil, c’était l’État le plus peuplé du pays et avec le plus grand nombre d’électeurs. Actuellement, sous cet aspect, il a été supplanté par l’État de São Paulo. La ville de Muriaé est située à l’est du Minas Gerais et constitue un important pôle commercial de sa région (la Zona da Mata). Selon les données de l’Instituto Brasileiro de Geografia Estatística, en 1990 la population de la municipalité comptait 84585 habitant dont 53.853 électeurs inscrits dans la liste électorale.
(2) La magistrature était pendant le deuxième Empire (1842-1889) dépendante du ministre de la Justice, par un pouvoir de nomination qui rendait la filiation à un parti une condition essentielle à une postérieur ascension, aussi bien dans la magistrature que dans la carrière politique. Dans la magistrature, Antonio Augusto a atteint le poste le plus haut, celui de desembargador, titre par lequel il est resté connu. Dans la politique, il a été élu député à l’Assemblée Générale de l’Empire en 1862, où il a représenté les conservateurs jusqu’à sa mort en 1886.
(3) Entretien avec Pio Canêdo – 20/07/1986. Entre autres postes, Pio Canêdo a occupé celui de maire de Muriaé, il a été député durant plusieurs législatures, secrétaire de l’intérieur et de la Sécurité Public de l’État de Minas Gerais, secrétaire de l’agriculture de l’État de Minas Gerais, un des fondateurs et chefs du PSD (Partido Social-Democrático), vice-gouverneur du Minas Gerais (1965-1970), vice-président de la Banque de l’État du Minas Gerais, directeur, et un des fondateurs de la fondation João Pinheiro, organisme voué aux études et projets macro-économiques du Minas Gerais depuis 1969.
(4) En 1962, la différence entre le candidat vainqueur et le candidat battu ne fut que de 3,3%. Les votes blancs et nuls ne dépassaient pas 2,65% (il convient de rappeler, toutefois, que le vote est obligatoire au Brésil). Lors des élections de 1976 cette différence était de 7,36%, tandis que les partis ayant un programme idéologique n’atteignaient que 2,105 des votes. Alors les votes blancs et nuls comptaient 8,8% des voix. En 1982, la différence entre les deux factions était de 3,63% et 3,01% en 1988. Ce n’est qu’à partir de 1992 que l’on peut observer une croissance du PT (Parti des Travailleurs), disposant d’un programme idéologique, lequel a obtenu 8,01% des voix. Source : registro do Cartório Eleitoral – Muriaé, Minas Gerais.
(5) Benedito Nunes, décembre 1988.
(6) Durant la période de 1842-70 de l’Empire, seulement deux partis politiques agissaient au Brésil. Pendant la Velha República (1889-1930), chaque État de la fédération avait son parti politique officiel (PRP – Parti Républicain Paulista ; PRM – Parti Républicain Mineiro, etc.). En 1945, la quatrième constitution brésilienne a permis la création d’autres partis. Les données d’Otávio Dulci, « Minas não há mais ? », I Seminário de Economia Mineira, Diamantina, 1982, Belo Horizonte, CEDEPLAR, 1986, montrent cependant, que lors des élections mineiras de 1945 à 1962, 805 des votes en moyenne allaient aux trois partis politiques conservateurs : PSD,UDN e PR. Les 20% restants étaient repartis entre tous les petits partis. En 1965 tous les partis ont été abolis par le gouvernement militaire, permettant seulement l’existence de deux partis à nouveau, ce qui, selon l’expression de Dulci, a signifié une « réalisation de la réalité ». A la fin des années 80, la légalisation des partis politiques n’a cependant pas changé la lutte bipolaire dans la plupart des anciennes municipalités.
(7) Entretien avec José Canêdo, juillet 1994. L’image des mannequins de cortège qui habillaient les hommes lors de fêtes du Carnaval est ici évoquée pour signifier que les hommes politiques de ce groupe se reproduisent dans la politique en se cachant sous le sigle d’un parti, ce qui les fait exister comme des « vrais » hommes politiques.
(8) Les ouvrages de mémoires sont riches en cet aspect. C’est le cas des six volumes qui composent les mémoires de Pedro Nava et les entretiens avec des hommes politiques, qui utilisent les techniques de l’histoire orale.
(9) Eduardo Azeredo a été élu en 1994 par les filières de gauche sous l’image d’un homme politique moderne, détenteur de toutes les capacités exigées par la politique contemporaine (compétence technique en économie, gestion, informatique, etc.). Cependant il appartient à une traditionnelle famille d’hommes politiques venant de la Première République (1889-1930) et a été ostensiblement soutenu pendant la campagne par les anciennes familles mineiras de différents partis politiques qui détiennent, encore, les votes de l’État à travers les échanges de faveurs et services.
(10) Pendant la période républicaine 17 présidents de la République ont été élus, dont 5 ont eu la carrière politique construite à São Paulo, 3 à Rio de Janeiro (pourtant capitale de la République de 1889 à 1960), 1 dans la Paraíba, 1 dans le Rio Grande do Sul et 1 dans l’Alagoas.
(11) Vereador – conseiller municipal élu.
(12) Selon Halbwachs (1976), aucune mémoire ne peut exister en dehors d’une référence à un cadre spatial socialement déterminé.
(13) La ville a été émancipée le 16 mai 1855.
(14) Entretien avec Gilberto Canêdo de Magalhães, février 1988. Gilberto appartient à une branche éloignée de la famille qui s’est transféré à Rio de Janeiro au début du siècle.
(15) Entretien avec Christiano Canêdo, ancien maire de la ville (1988-1992), nov. 1994.
(16) Copie de l’invitation reçue par l’auteur lors de son séjour en France.
(17) Entretien Consolação Freitas Canêdo, 3 nov. 1994.
(18) Entretien Maria Rosaria Eudoxia Canêdo Miranda, 18 juillet 1994.
(19) Entretien avec José Canêdo, juillet 1994.
(20) A propos de la preuve du domicile pour l’inscription dans les listes électorales (loi du 5 Avril 1884, pour Paris), Offerlé(1995, 5-6),écrit : « D’un côté l’inscription implique un attachement au double sens matériel (habiter) et symbolique (s’identifier à) qui doit d’ailleurs se retrouver dans l’accomplissement même de l’acte de voter se déroulant sous l’inspiration du milieu où il vit. ».[…] Le rattachement à citoyenneté civique nationale passera par l’attachement à la citoyenneté locale. L’identification à cette communauté « imaginée »(CBf. Anderson) qu’est la nation se fera contre et par le canal d’une localisation où se construit le rapport à la politique et aux politiques publiques, où se manifeste la citoyenneté dans ses usages, où se fait l’apprentissage de l’intérêt à être français ».
(20) Au Brésil le vote est obligatoire et il n’existe pas de vote par correspondance. C’est pourquoi on est obliger de « justifier » son absence du lieu de votation dans un bureau de da poste. La copie du formulaire y rempli doit être présenté par la suite au juge électoral de la ville où l’électeur est inscrit.

La production généalogique et le modes de transmission d’un capital politique familial dans le Minas Gerais brésilien

Publicado em: Genèses, Paris, v. 2, n. 31, p. 4-28, 1998

Introduction
L’intérêt pour les familles mineiras[2], visant à la compréhension des modes de transmission du capital politique familial, n’est pas gratuit. Les questions concernant la politique mineira dépassent en effet les limites locales comme en témoigne le pouvoir exercé par élites de Minas Gerais sous l’Empire (1822-1889) et la République (à partir de 1889) : cinq présidents de la République, des nombreux ministres (parmi les portefeuilles les plus importants), sept vice-présidents de la République, une forte représentation dans les principales Commissions financières et de justice de l’Assemblée Nationale et les principales fonctions dans tous les Ministères. Depuis le début de la Nouvelle République, en 1985, deux présidents sur quatre sont venus de Minas Gerais et ont constitué des gouvernements de mineiros. Ce n’est pas sans raison si dans le II Séminaire d’Etudes Mineiros (1956) une recherche a été présentée qui montrait les liens de cette élite avec un réseau de 27 familles contrôlant la politique de l’Etat du niveau local jusqu’au niveau national[3].
Souvent citée, mais rarement sollicitée dans les travaux portant sur les faits politiques, cette recherche de Rebelo Horta a été reprise en 1990 par Frances Hagopian, pour sa thèse sur les élites traditionnelles du Brésil contemporain[4]. Elle affirme qu’on peut encore retrouver des membres de ces familles dans les postes les plus élevés de l’administration. Mais aussi, les nouvelles élites doivent leurs responsabilités et leurs places aux anciennes.
Je ne présente pas ces informations avec l’intention de relancer les débats sur l’archaïsme ou la modernité politiques[5], liés à une conception conventionnelle de la modernisation politique. D’autant plus que rien n’indique que les pratiques des hommes politiques mineiros ne puissent être envisagées que du seul point de vue de leur distance avec la modernité et les formes de légitimation de l’Etat démocratique légal. Il s’agit d’apporter des éléments qui interrogent la notion de durée en politique, en parcourant un des chemins les plus tortueux de la mémoire: la mémoire politique.
Des nombreuses sources fournissent des informations sur cette mémoire. Parmi celles fréquemment utilisées il y a les biographies et les écrits des hommes politiques, qui de plus en plus attirent l’attention des sociologues et politologues[6]. Cependant, l’observation d’un homme politique expérimenté du Minas Gerais m’a orienté vers d’autres pistes de recherche. Face à mes difficultés pour appréhender la nature des mandats électifs des mineiros, il m’a dit: «L’homme politique mineiro n’écrit rien. Les archives du mineiro se trouvent dans la mémoire[7]».
Toutefois, contrairement à l’affirmation de cet ancien député, Klein Dutra, j’ai découvert que les hommes politiques mineiros ont écrit leur mémoire : elle est cachée dans les méandres des généalogies. Leur vision de monde s’ordonne à travers les modèles de mariages qui s’y dessinent. En effet, la régularité des choix des conjoints et de leur activité professionnelle indique la logique d’un ordre politique basé sur le pouvoir de la bureaucratie d’Etat. Car il s’agit de généalogies dont les membres sont connus par leur activité dans la fonction publique. Ces hommes politiques ont, en outre, objectivé la nature de leurs mandats électifs : bustes ou plaques en l’honneur de leurs ancêtres politiques sur les places publiques, bâtiments administratifs portant le nom de la famille et décorés de portraits des aïeuls célèbres (avec des rappels insistants sur leurs bons services à l’Etat).
L’importance politique de l’analyse de ces registres se situe dans le fait qu’ils stimulent non seulement la mémoire familiale mais aussi celle de la population, préparant celle-ci au rituel des élections. Les résultats chiffrés du scrutin cachent aux non initiés ce qui sous-tend les mécanismes d’agrégation : le geste électoral, celui de cocher ou d’écrire un nom sur un bulletin dans la solitude de l’isoloir et de le glisser dans l’urne – un geste perçu comme individuel, libre de toutes relations sociales préexistantes. Pourtant, on l’oublie souvent, tous les gestes de la vie sociale sont concentrés dans ce seul geste. Unis, ils font le miracle de transformer l’acte du vote, d’un acte isolé en un acte qui réactive la mémoire collective. C’est justement cette mémoire qui intervient au moment du vote. Elle signale les héritiers, c’est à dire, les garanties symboliques de l’identité d’une communauté donnée. De manière paradoxale, elle consolide, élection après élection, le pouvoir de ces «lignées politiques»[8].
Ces préalables justifient la démarche retenue dans ce travail, qui prend pour fil conducteur une généalogie publiée par la maison d’édition de l’Etat[9]. Deux autres sources principales ont également été utilisées : des entretiens et des documents des archives familiales[10].
La généalogie s’attache à un groupe familial de la Zona da Mata[11] de Minas Gerais. Il s’agit d’une famille reconnue dans sa région électorale comme “une famille d’hommes politiques”, étant donné que depuis plus d’un siècle certains de ses membres réussissent avec du succès, génération après génération, à accumuler des postes dans l’espace du pouvoir public. Considérés comme des bons techniciens et administrateurs, les hommes politiques recensés se sont fait reconnaître comme des autorités compétentes par ceux qui les élisent.
Un certain nombre d’autres faits ont également contribué au choix de cette généalogie comme objet d’études, parce qu’ils aident à comprendre les moyens par lesquels on arrive à produire des élaborations spécifiques du politique :
· les hommes politiques qui y sont enregistrés appartiennent à une des 27 familles gouvernementales citées par Horta ;
· cette lignée reprend les trois éléments que Frances Hagopian[12]révèle comme essentiels à l’ascension de l’élite mineira au centre de la politique : les racines oligarchiques, la vocation pour la fonction publique et la compétence technique de ces membres ;
· la généalogie a été publiée par la maison d’édition officielle de l’Etat et non par une maison d’édition privée[13] ;
· la date de parution (1970) du livre coïncide avec une des périodes de la décadence intermittente par laquelle est passé le groupe familial dans la politique. J’ai pour hypothèse que le fait de rendre publique cette généalogie à l’effet d’une arme dans la lutte pour la pérennité politique d’un groupe familial qui exerce un pouvoir politique depuis l’indépendance du Brésil (1822).

Plus qu’un instrument construit pour célébrer des hommes politiques, le choix de la maison d’édition réaffirme les liens de la famille du généalogiste avec les activités du service de l’Etat.

Le temps dans la généalogie : famille et pouvoir politique
La généalogie se présente sous une double face au sociologue. D’un côté, à l’exemple des archives historiques, elle est organisée de manière chronologique, en périodes qui se succèdent au long du temps. Sous ce point de vue, elle réunit et ordonne des informations sur des aspects essentiels de la société – naissances, morts, mariages, etc. – lesquels, interprétés, servent de base aux analyses historiques, sociologiques et politiques.
D’un autre côté, elle recèle toute une dimension symbolique, résultat d’une manière propre de concevoir le réel. Elle donne une identité à la famille, en lui établissant une origine, un commencement qui rompt avec tout ce qui lui a précédé. Son tracé régulier, chronologique et cumulatif de la trajectoire familiale garantit la continuité et la cohésion de la famille. La généalogie renferme et modèle les pratiques individuelles et collectives du présent, mais les montre comme si elles faisaient partie d’un cadre hérité : elle rend présent le passé tout en le projetant vers le futur. C’est pourquoi le sociologue ne peut pas travailler sur les informations brutes, telles qu’elles ont été organisées par le généalogiste, sous peine de devenir prisonnier d’évidences.
Pour rendre compte de ce double aspect, la généalogie que nous avons employée comme source principale des données a été analysée comme une catégorie de la pratique politique, en d’autres mots, comme un outil d’usage social et politique.
Alves Pequeno, l’auteur de cette oeuvre, essaie de reconstituer la descendance de sa trisaïeule, Balbina Honória Severina Augusta Carneiro Leão (1797-1874) “jusqu’à nos jours”. De cette manière, dès l’introduction de son oeuvre le généalogiste nous fait entrevoir ce double aspect présenté plus haut. Car, outre les questions d’ordre symbolique, il est curieux de constater que la cohésion des générations est donnée par une femme, et non par un couple. Une femme est choisie pour justifier le début d’une descendance où, selon les propres mots du généalogiste , on retrouve des personnages masculins “de la plus haute extraction sociale et politique” .La trisaïeule, elle, est présentée comme la soeur aînée du Marquis du Paraná, célèbre homme d’état brésilien, responsable pour la formation du Gabinete da Conciliação (1853-1857)[14].
Or, dans la société occidentale la descendance est fondée sur la parenté masculine et sur la puissance paternelle. Le père est le seul à pouvoir transmettre le nom[15]. En conséquence, la descendance de l’aïeule Balbina est enregistrée dans la généalogie sous les noms les plus différents. Sur la couverture du livre on lit tous les noms reconnus par l’auteur : Familles Carneiro Leão, Canêdo, Oliveira Penna, Oliveira Diniz, Moreira Penna, Almeida Magalhães et d’autres. Ici, la question de la cohésion interne du groupe devient plus claire, car le généalogiste, sans être explicite, a sans doute attribué à une femme, avec un frère célèbre, la primauté de liens de parenté afin de garantir la conscience d’une identité familiale éparpillée en plusieures lignées masculines. C’est exactement à cette identité familiale que l’auteur fait référence dans son introduction :

… les familles qui y sont inscrites proviennent de ce qu’il y a de plus distingué au sein des légitimes et glorieuses traditions de cette terre splendide. Elles comprennent des personnages de la plus haute extraction sociale et politique : des chefs d’Etat, des ministres, des secrétaires, des sénateurs, des députés des juges, des procureurs, des avocats, des ingénieurs, des médecins, des commerçants, des industriels, des agriculteurs, des journalistes, des hommes d’église, etc.[16]

Malgré le caractère atemporel et en trompe l’oeil qu’affiche toute la généalogie, cette citation permet de rendre concrètes, à travers les expériences professionnelles, les valeurs qui ont orienté la conduite de la descendance telle que l’organise le généalogiste. Il privilégie le service de l’Etat et la représentation politique. Ensuite sa préférence se tourne vers les professions liées à l’enseignement supérieur, telles le droit et l’ingénierie. Les activités de production, l’agriculture et la religion sont reléguées à la fin. Ainsi, il est curieux d’observer que les activités préférentielles qui ont été énumérées n’attribuent pas la primauté au succès économique mais plutôt à la conformité aux exigences du champ politique.
Cependant, quoique dise cette introduction, on n’a pas rencontré des banquiers ou des industriels lors de l’étude de la descendance enregistrée. Les banquiers cités pas Alves Pequeno étaient des hommes qui ont occupé des postes élevés dans les banques d’Etat. De la même façon, les ingénieurs et les avocats dont il est question ne se sont pas distingués dans le rôle de professionnels indépendants, mais dans l’exercice de la fonction publique. Parmi les 575 occupations identifiées dans la généalogie, 375 (65%) étaient liées à la fonction publique. On a pu également observer que les députés et les sénateurs de cette famille ont occupé aussi des postes de responsabilité dans l’administration où une compétence technique était exigée.

Les données généalogiques soulignent le jeu d’intérêts familiaux liés à des positions dans l’administration. Mais jusqu’à quel point la construction des liens dans ce groupe familial était-elle élaborée en fonction de cet enjeu, la fonction publique ? Qu’est-ce qui a permis à ce groupe, durant plus de 150 ans, de jouer dans ce champ de force aussi instable que la politique ? En d’autres mots, quels sont les instruments de perception et d’interprétation des actions politiques de cette société qui accordent un tel poids à la famille, et qu’en même temps affirment l’égalité des citoyens et développent des lois qui visent à ce que la société devienne de plus en plus démocratique ?
Ces aspects contradictoires seront analysés dans la première partie de cet article, qui fait référence à l’étude de la généalogie comme une source de données historiques. La deuxième partie du travail s’occupera de la généalogie comme une source d’accumulation de capital symbolique et de stratégie politique.

L’organisation du pouvoir politique dans la société mineira à la première moitié du XIXème siècle
Le mariage de Balbina Honória avec Manoel da Silva Canêdo, analysé selon les donnés qui ont été sélectionnées par le généalogiste, n’est pas dépourvu de sens. Il a eu lieu à Barbacena, en 1814, à la veille de l’élévation de la Colonie brésilienne à la catégorie de Royaume uni au Portugal, pendant le processus d’indépendance[17].
Barbacena se situe dans le Minas Gerais (Zona da Mata ?). Son peuplement a commencé avec le début de l’occupation de l’espace mineiro dans la deuxième décennie du XVIIème siècle, lors de la découverte de l’or. Son développement a été rapide et dû à sa position stratégique : étape obligatoire dans la liaison commerciale de la région des mines avec Rio de Janeiro, alors capitale de la colonie. Au début du XIXème, Barbacena était une importante ville commerciale.
A la lumière de la spécificité de l’histoire mineira, le mariage de Balbina marque l’option de la famille pour faire face aux transformations qui avaient lieu dans la société avec la fin de la gloire de l’or. En effet, il révèle deux aspects intéressants :
* Un intérêt net pour créer des alliances familiales avec les portugais blancs capables d’élargir les réseaux d’amitié, avec des liens en des diverses corporations, mais toujours tournés vers le gouvernement central. Cet aspect souligne l’absence de noms non-portugais dans la généalogie ;
* Une aspiration pour (créer ?) maintenir des liens bureaucratiques dans les espaces urbains après la décadence de l’or et le début du mouvement vers la campagne. Cet aspect souligne la valeur accordée par le généalogiste à l’option de la famille pour les engrenages de la bureaucratie de l’Etat.
Balbina était la fille d’un commerçant, Carneiro Leão, qui fournissait la région des mines. Avec d’autres commerçants portugais, il était imbriqué dans un réseau de parenté et d’échange informel d’étendue internationale[18] et en rapport avec le monde de la Cour. Le mari de Balbina était conseiller municipal de Barbacena et portugais de naissance.
L’alliance de Balbina avec un notable local a rompu avec la régularité des mariages endogamies du côté des Carneiro Leão et a placé la famille de commerçants sur la voie du pouvoir politique. Il n’était pas difficile pour lui qui était fils de capitaine, et ainsi vu avec distinction, étant du côté de ceux qui sont obéis sans être questionnés, car ‘capitaine’ était un titre octroyé par la Couronne portugaise[19].
Pour bien comprendre la signification du mariage de la fille d’un commerçant, ayant des attaches internationales, avec le fils d’un homme détenteur d’un titre de la Couronne portugaise, il faut tenir compte du fait qu’une société dont l’activité est basée sur l’exploration de l’or d’aluvião (de surface) produit une couche sociale dominante beaucoup plus instable que, par exemple, celle des seigneurs du sucre. La production de sucre dans le Nordeste brésilien, on le sait bien, a permis la création de traits anoblis à partir de la propriété de la terre[20]. Tandis que dans le Minas ‘l’anoblissement’ dépendait directement des liens avec la bureaucratie de l’Etat portugais[21].
Or, la richesse des mines à la deuxième moitié du XVIIIème siècle a apporté à la région un important contingent de population[22] et un accroissement urbain sans pareil dans le modèle colonial. Au même moment la Couronne portugaise a créé un important dispositif administratif pour contrôler la région la plus riche de l’Império Colonial. Ainsi, dans le Minas, l’urbanisation et la bureaucratisation sont antérieurs à la ‘ruralisation’. Un phénomène qui a eu un effet contradictoire pour les commerçants, car il a engendré une perte d’autonomie : le commerce se faisait par les centres administratifs, les marchandises étaient transportés par des bateaux contrôlés et choisis par l’administration portugaise. Ceci a procuré à une branche de la bureaucratie le sentiment d’appartenir à un groupe d’influence politique. Pour entretenir cette image de prestige il était nécessaire d’attester les moyens de se maintenir dans la mouvance de la bureaucratie de l’Etat[23].
Le mariage de Balbina montre ainsi un type d’investissement social et politique fait par les grands commerçants Carneiro Leão en choisissant comme gendre un homme considéré par sa ‘noblesse et richesse’. Un des résultats immédiats a été l’expérience politique précoce, à la Cour, du frère cadet de Balbina, Honório Hermeto. Par les mains de la familles il a bientôt été conduit aux études de droit à Coimbra (Portugal), ce qui lui a permis d’atteindre, à l’âge de 25 ans, 4 ans après l’indépendance du Brésil, le plus haut niveau de la magistrature et le titre de vicomte et de marquis de Paraná[24]. Par la suite il a été Ministre de la Justice, président des provinces de Rio de Janeiro et de Pernambuco, a été élu au sénat et finalement a exercé la présidence du Conseil des Ministres, couronné par le succès de sa politique dans le Gabinete da Conciliação (1853-55)[25]. Il faut ajouter à cela le titre de commandeur de l’Empire accordé en 1853 à Manoel Canêdo, la mari de Balbina, pour les services rendus à la Couronne. Deux fils de Balbina ont été gratifiés du même titre, ainsi que son beau-fils, et la carrière de beaucoup de ses descendants liés à la magistrature et aux postes de représentation (député, sénateur) a été favorisée. Cela a été observé par un visiteur étranger déconcerté : “Au Brésil, les représentants de la nation étaient en même temps ceux de l’Etat et les fiscaux du gouvernement, ses propres fonctionnaires[26]”.
Cela nous fait revenir au deuxième aspect considéré, à savoir l’aspiration pour maintenir des liens bureaucratiques dans les espaces urbains.
Avec la pénurie de l’or à partir des années 1780, et la conséquente intensification de la fiscalisation portugaise sur le quinto (impôt : 1/5 de l’or trouvé), le départ pour la campagne, les Gerais, correspondait à la décadence, à la chute sociale associée à l’affaiblissement des contacts urbains et à l’absence d’influence et donc de pouvoir[27]. La terre existait en quantité et était d’un accès facile[28]. Mais le prestige lié au pouvoir politique, au contraire, exigeait un investissement beaucoup plus coûteux, né de la concurrence au sein de la Cour portugaise. Il est intéressant d’observer que les propriétaires terriens du Minas Gerais révéraient cette classe de bureaucrates. Ils allaient jusqu’à reconnaître en elle la même importance sociale que les fonctionnaires publics s’attribuaient eux-mêmes[29].
Garantir le prestige dans la bureaucratie d’Etat a été la stratégie pour l’accumulation d’un vaste capital politique.

Le progrès des membres de la famille dans la bureaucratie de l’Empire
Afin de défendre leurs privilèges, les agents de la bureaucratie centrale, après l’indépendance (1822), ont accentué la conception de bien public dans le travail de réorganiser les intérêts de l’Etat contre les titulaires des postes locaux monopolisés par les propriétaires terriens. En 1841, l’Empire devient centralisé, par le biais de l’interprétation d’une loi, “dans les mains du Ministre de la Justice, généralissime de la police, en lui donnant pour agents une armée de fonctionnaires hiérarchisés, depuis le président de province et le chef de police jusqu’aux inspecteurs de quartier[30]”.
Cette loi, dont un des promoteurs était le Marquis de Paraná, le frère cadet de Balbina, a créé une magistrature professionnelle dépendante du gouvernement central, à travers le pouvoir de nomination. Les descendants de Balbina en ont tiré grand profit, en suivant la carrière classique des diplômés en droit : juge municipal, procureur général, juge en première instance, desembargador[31]. Dans les postes de représentation cette formation professionnelle les mènerait à participer de la construction de lois de l’Etat. (Minas ou Brasil ?)
Les archives de Antonio Augusto da Silva Canêdo[32], petit-fils, de Balbina, laissent voir les applications pratiques de cette loi, car ils éclaircissent deux aspects de difficile conciliation y implicites : comment discipliner le pouvoir local et en même temps l’utiliser en faveur de la centralisation, à travers un recrutement fidèle suivant les liens de parenté. On y trouve les brouillons de plusieurs sentences prononcés par lui, lors qu’il était juge de la Zona da Mata dans les années 1860, pour apaiser les querelles familiales des dirigeants locaux. On y voit également des lettres du Ministre de la Justice l’interrogeant sur des personnes qu’il pourrait nommer, et le brouillon de ses réponses :

J’ai l’honneur de recevoir cette chère lettre confidentielle que vous m’avez adressée, me demandant d’indiquer les citoyens que je jugerais aptes à occuper des postes de remplacement de Juges municipaux de ce Canton. Pour vous satisfaire, je vous envoie ci-joint les listes qui comportent aussi les villes de Barbacena et de Rio Novo, dont les nominations sont de mon intérêt.
Quant à ce canton, vous vous souviendrez que je vous ai à plusieurs reprises demandé d’accueillir ma proposition car je m’intéressais à la nomination de certains de mes amis. Maintenant que je vous envoie les noms, je vous demande de choisir parmi eux les nommés. En même temps que j’insiste de façon véhémente pour que, en aucun cas, vous nommiez, pour aucun poste local, le portugais naturalisé (…). Sa nomination impliquerait un affront à ma personne et j’en serais profondément déçu (…).
Je suis fils de Barbacena. Toute ma famille et mes propriétés y sont. (…) Ceci étant, je m’engage auprès de vous en ce qui concerne les nominations de cette ville. Les premiers de la liste sont mes parents (…)

Les lettres attestent en outre l’importance de son rôle, en tant que député du Parti Conservateur, d’intermédiaire entre les propriétaires terriens locaux et les institutions de crédit centralisés. Une telle influence a été rendue possible grâce aux liens matrimoniaux de la famille avec des personnes bien implantées dans le commerce : la fille aînée de Balbina s’est mariée avec un très riche commerçant de Barbacena – João Fernandes de Oliveira Penna – député provincial quatre fois et chef du Parti Libéral de la région. Ses deux fils aînés, diplômés en droit, se sont mariés avec ses propres nièces, filles de João Fernandes et leur soeur. Le fils cadet, également diplômé en droit, s’est marié avec une cousine Carneiro Leão et son parrain de mariage était le Marquis de Paraná.

Les mariages dans le milieu des commerçants établis et prospères ont pu ainsi aider le progrès des membres de la famille dans la bureaucratie de l’Etat. Cela a permis aux nouvelles générations d’accéder aux coûteuses écoles d’élite qui préparaient à la fonction publique.

Comme montre les tabeaux, les mariages décrits plus haut ont donné naissance à une pratique dont la reproduction est devenue régulière : l’investissement dans la fonction publique. De là vient l’importance donnée aux types de mariages réalisés dans la descendance de Balbina, qui ont permis de stabiliser, dans un équilibre relatif, la position politique atteinte. Si l’on les compare aux alliances réalisées en d’autres familles, dépositaires de capitaux et d’intérêts différents, comme les grands propriétaires de terre, par exemple, les stratégies de mariage, reconstruites à partir de l’étude de cette généalogie, peuvent être vues comme des atouts, qui sont utilisés en des périodes de transition politique et économique, c’est à dire, une aptitude à suivre les aléas de l’histoire.

Les mariages hors de la descendance et leur impact politique pendant la période républicaine
Il n’est pas étonnant de constater la préférence postérieur de la famille pour les unions réalisées hors de la descendance. Elisabeth Kuznesof avait déjà observé que, à la deuxième moitié du XIXème, l’élargissement du réseau des institutions et des postes politiques avait donné naissance au besoin d’étendre le réseau familial afin d’atteindre les objectifs politiques[33].
Cette observation prend du sens lorsqu’on la compare avec ce qui se passe dans une famille de propriétaires de terre. On y voit, aussi bien au Brésil que dans d’autres sociétés, une persistance des mariages consanguins dans la descendance[34], qui s’explique par un intérêt de la famille pour garder le domaine des terres. Une étude faite sur la famille Junqueira, une des plus grandes propriétaires de terre de Minas Gerais[35], révèle une famille qui, au début du siècle dernier, suivant les rivières, élargi la dimension de ses propriétés au delà des limites de Minas Gerais, grâce aux mariages consanguins. A la moitié du XIXème, une partie de Junqueiras avaient atteint São Paulo, une autre partie est venue vers la Zona da Mata du Minas, mais ils n’ont pas réussi à élargir leur pouvoir politique à travers ces frontières.
La famille qui est l’objet de notre étude n’a pas suivi le chemin des rivières. Elle accompagne la route des postes politiques, la route conduisant à Rio de Janeiro. La différence fondamentale entre les deux familles est que pour l’une la terre à une valeur d’investissement économique tandis que l’autre la voit comme un instrument pour atteindre des postes publiques. En d’autres mots, les mariages existants dans la généalogie analysée produiront un effet plus fort du point de vue politique que celui de l’investissement foncier[36]. Il n’en est même pas question de terres dans ce livre, au contraire de ce qu’on lit dans les généalogies étudiées par Brioschi, où la base du pouvoir apparaît fondée sur la filiation à la terre. Alves Pequeno, de son côté, est prodigue sur les références aux titres et aux positions occupées dans la haute bourgeoisie de l’Etat lorsqu’il décrit les mariages.
Deux stratégies matrimoniales se distinguent dans cette généalogie pendant la première République : 1) les alliances multiples entre groupes préférentiels ; 2) les alliances opposées.
J’entends par alliances multiples les mariages entre deux ou trois frères d’une famille avec deux ou trois soeurs d’une autre famille. Cela montre l’intérêt de certains groupes à se fermer en eux mêmes de manière à s’affermir, comme s’ils organisaient une nouvelle famille. C’étaient surtout des mariages réalisés hors de la descendance étudiée, dans une nouvelle parenté. Les liens avec cette parenté ayant été réalisés à travers les écoles de droit.
Dans cet ensemble d’alliances multiples, on peut recenser la présence d’un Président de la République, d’un gouverneur d’état, des ministres, des députés fédéraux des assesseurs de cabinets ministériels, des députés d’état, la présidence de la Banque du Brésil, entre autres postes publics. Les groupements familiaux qui ont réalisé ce type de mariages sont ainsi ceux qui ont pu préserver le pouvoir au niveau fédéral.
Les petits-enfants de Balbina Honória Feliciano Augusto et Maria Guilhermina Augusta, frère et soeur, se sont mariés avec Clementina et Afonso, frère et soeur aussi. Feliciano a été Sénateur de la République et Afonso Président de la République. Tous les deux ont étudié dans la même faculté de droit.
Les alliances opposées sont une pratique de mariage devenue régulière. Les fils diplômés se marient à des filles de propriétaires terriens, surtout du café, tandis que les filles sont destinées au mariage avec des hommes politiques ou avec des fonctionnaires bien placés dans la hiérarchie.
Aucune des six petites-filles de Balbina Honória n’a épousé un propriétaire de terres. Au contraire, la chronique familiale a rendu célèbre le mariage d’une d’elles avec un bacharel. En fait elle s’est mariée avec un membre d’une famille renommée de Barbacena, diplômé en droit et député de l’Assemblée Nationale de l’Empire, mais notoirement tuberculeux. Il est mort en effet de cette maladie lorsqu’il occupait le poste de président de la Province de Paraná. “Etre doutor (avocat diplômé) avec une bague au doigt c’était mieux que d’être un saint”, dit à ce propos D. Maria Isabel Novaes, nièce de la veuve, lors d’un entretien.

Ces alliances ordonnées par le généalogiste et reconstruites à l’aide de l’informatique soulignent un type d’investissement social et politique entrepris par le groupe familial. Le fait de donner ses filles à des fonctionnaires bien placés dans la hiérarchie ou à des hommes politiques exprime l’attache de la famille à la monopolisation des fonctions de représentation politique, juridique et administrative que les femmes, en tant que telles, ne pouvaient pas exercer. A travers cet arrangement matrimonial, elles pouvaient cependant ‘incorporer’ des talents masculins qui appartenaient à une élite raffinée et habile pour atteindre le champ complexe de l’Etat.
De l’autre côté, donner les fils bacharéis en mariage à des filles de propriétaires terriens de province était une manière de garantir le domaine de la politique là où la famille avait fixé sa zone électorale. Faisant une parodie du Viconte d’Uriguay, homme d’Etat de l’Empire : il fallait faire circuler le sang jusqu’à l’extrémité des pieds.

D’un total de 68 mariages des arrière-petits-enfants liés à la généalogie, seulement 3 de 32 femmes se sont mariées avec des fils de fermiers. D’un autre côté, 12 de 24 hommes se sont mariés avec des filles de fermiers. Mais il faut aussi ajouter que quand il y a eu un intérât pour la consolidation du pouvoir dans des régions électorales spécifiques de l’intérieur de l´Etat (les Canêdo à Muriaé, les Moreira Penna à Santa Bárbara) le pourcentage d’hommes mariés avec des filles de coronéis est plus grand (70%). Les autres se sont dédiés à la bureaucratie d’Etat, comme les Canêdo Magalhães, qui ont toujours vécu à Rio de Janeiro.
Ces mariages clarifient les stratégies qui ont rendu possible l’adaptation des hommes politiques de cette famille aux défis suscités par la décentralisation des institutions républicaines de la période 1889-1930.
Pendant la période connue comme la Première République, de 1889 `1930, les anciens partis nationaux – Conservador et Liberal – ont été remplacés par des partis régionaux suivant les dispositions constitutionnelles, selon lesquelles chaque Etat de la fédération devrait prévoir ses propres besoins. Cependant, la République a aussi connu des hommes politiques nationaux, qui ont survécu malgré le système dominant.
C’est le cas du Minas Gerais, où les anciens monarchistes, comme Afonso Penna, sont devenus des hommes de la république, dominant les républicains historiques affaiblis par les ruptures politiques. Ces hommes politiques nationaux qui venaient de l’Empire, au contraire, se sont liés[37]. Et parmi les alliances effectuées, celles du mariage sont d’égale importance, quand on pense à la continuité légitimée d’un même groupe au pouvoir. Mais il n’y a pas de mention de ces alliances dans les études disponibles.

La décentralisation des institutions républicaines exige une présence plus directe des membres de la famille dans la sphère des pouvoirs municipal et de l’Etat. On observe ainsi se dessiner un nouveau modèle de rapports entre les hommes politiques de cette famille et l’espace social qu’ils représentent : ils n’habitent pas dans leur région électorale, ils ont une carrière professionnelle dans la capitale de l’Etat ou de la Fédération, mais ils sont étroitement dépendants, pour conserver leur capacité de mobilisation électorale, de ceux qui les soutiennent durant les élections (les propriètaires terriens et les notables locaux), qui detiennent les fonctions de l’administration de la municipalité et la gestion locale des relations clientelísticas. En revanche, les ces derniers dépendent de la médiation des hommes politiqes pour ouvrir les portes des coffres de la fédération pour les travaux publics et les emprunts bancaires pour ses plantations toujours en crise[38]. Il faut aussi penser aux avantages personnels que les clientelisme apporte au pouvoir local.
La fermeture de la descendance Canêdo, étudiée plus particulièrement parmi les autres familles de la généalogie, avec les propriétaires du café de la Zona da Mata. Par le côté maternel les descendants avaient des liens avec des titulaires de postes municipaux, les notables locaux, les propriétaires de terre. Par le côté paternel en revanche, ils ont maintenu, par l’intermédiaire de l’ascendance féminine, alliée à des hommes politiques ou à des hauts fonctionnaires, leur place dans l’administration centrale de l’Etat, avec un contrôle sur leurs régions électorales. Les propos du chef politique actuel de la région de la Zona da Mata éclaircissent cet aspect :

J’avais les deux côtés. Du coté de ma mère on trouvait le coronel[39]Chico Pereira et le coronel Chico Theodoro. (…) Le coronel Chico Theodoro était le fils du coronel Francisco Theodoro, père de ma mère, chef politique de cette région. (…) Disons que j’ai commencé ma vie politique sous la protection des coronéis[40].

Le commentaire du frère de cet homme politique explique mieux le pouvoir de “l’autre côté”, le côté paternel:

Ah! Papa n’a pas laissé faire. Quand ils [les opposants] ont voulu empêcher Chico Pereira de prendre ses fonctions [de maire], papa a téléphoné immédiatement à Dornelles, parent de Getúlio Vargas, marié à notre cousine. Comme Dornelles était le chef de la police de l’état, Chico a pu prendre ses fonctions[41].

Afin d’établir un rapport entre les stratégies de mariage et le type de domination politique qui s’es perpétué dans le Minas, le contrôle du centre sur le pouvoir local, il est important de remarquer que les alliances décrites ici ne sont possibles que parce qu’elles ont été assumées par des personnes qui s’y sont disposé, qui avaient intérêt en raison d’investissements antérieurs. Dans le cas des propriétaires terriens, par exemple, tout indique que, occupés à gérer une production menacée par la crise, ils ont fait ce choix de mariage pour leurs filles afin de combler leur désir jamais satisfait, d’ascension sociale. Il était possible qu’ils retrouvent la gloire éphémère de l’ancien temps de l’or, à travers le mariage de leurs filles avec des hommes appartenant à une famille unie par les valeurs qu’elle s’était donnée et qui exprimaient sa position liée au pouvoir d’Etat.
D’après Blasenhien, à la différence de ses congénères de São Paulo, les mineiros, tout en ayant toujours l’air d’être peu munis d’argent, étaient capables de jouer tout le profit acquis l’année précédante[42]. Pour cette raison il arrivait très souvent que les propriétaires ne sachent pas déterminer de façon très précise quelle était leur situation financière réelle. Le commentaire d’un arrière-petit-fils de Balbina éclaircit le fait :

Mon grand-père avait l’habitude d’allumer son cigare avec des billets de mille réis.

Cela les menait à une dépendance systématique par rapport à l’appareil de crédit de l’Etat qui “prêtait de l’argent aux fermiers et recevait la garantie des terres et des esclaves[43]”. Le député de la région, marié dans la famille, servait d’intermédiaire auprès de la Banque du Brésil.

Les liens de parenté et les conditions d’exercice du pouvoir politique
Le plus important, au demeurant, c’est que ces stratégies matrimoniales ont engendré un type d’homme politique très particulier au Minas Gerais, qui était très tôt un homme politique à plein temps, un professionnel en activité politique continue. Il possède un nom facile à identifier dans le champ politique sans pour autant avoir des liens économiques directs avec la production rurale. Cependant, étant attaché à la région par le biais des alliances avec les propriétaires qui constituent l’élite locale, cet homme politique s’est mis à jouer deux rôles décisifs : médiateur et protecteur. Celui de médiateur entre la municipalité, le gouvernement de l’état et le gouvernement de la fédération est peut-être le plus important. C’est lui qui consolide, élection après élection, le pouvoir de ces “lignées politiques”. De ces hommes politiques, qui ont accumulé du pouvoir auprès de l’appareil d’Etat, les électeurs attendent une meilleure distribution des ressources publiques pour la localité où ils vivent. Des ressources qui peuvent aussi bien être matérielles (emploi, protection policière, santé, subsides pour les travaux publics d’intérêt local, etc.) que symboliques (défense de l’honneur d’une faction, parmi d’autres).
La tâche de médiateur entre l’Etat et le secteur productif n’était pas nouvelle, puisqu’il la remplissait déjà depuis l’Empire[44]. Le rôle de protecteur, en revanche, s’est affermi à partir de 1946. C’est le moment où, paradoxalement, les partis sont devenus plus importants dans le jeu de succession et où le “contingent” de la parenté employé dans la bureaucratie d’Etat s’est élevé. Cette argumentation (de quoi?) est venue du besoin de compétence technique dictée par le desenvolvimentismo des années 50 et par la technocratie des années 70. Les hommes politiques liés à l’Etat n’ont jamais méprisé leur responsabilité politique en matière de connaissances techniques et économiques. Surveillés par la famille, ses connaissances ont été renouvelées, car un soin spécial était pris pour le choix des écoles supérieures et pour les pratiques que chacun d’eux déployait dans les commissions techniques parlementaires. Pour ces hommes politiques il n’a pas été difficile de passer de l’économie politique aux politiques économiques exigées de nos jours.
Or, les changements imposés par le régime autoritaire (1964-1985) ont consolidé l’hégémonie financière de l’Union qui, étant à l’origine des programmes spéciaux pour les municipalités, a fait proliférer les agences responsables pour ces programmes et pour le transfert de ressources. La lutte dans le domaine administratif a de plus en plus exigé un pouvoir de négociation et de diplomatie de la part des agents politiques. Ils devaient être capables non seulement de mener les projets urbains, mais aussi de réduire leur financement en les confiant à des agences étatiques. C’est ce qui a rendu les hommes politiques de ces familles indispensables à la population, les transformant en représentants de fait des électeurs qui les désignaient.

La généalogie comme outil politique
La généalogie n’est pas seulement une source de données. Elle est aussi une source d’accumulation de capital symbolique, car la force du souvenir qui fait la construction généalogique est proportionnelle à la valeur que le généalogiste accorde aux mariages qui peuvent assurer la perpétuation d’un certain patrimoine. De cette manière, quand il trace les mariages, le généalogiste crée une réalité sociale visant à légitimer une certaine descendance. Il choisit celle qui est susceptible d’assurer la continuité et la cohésion de plusieurs générations ayant subi un travail de socialisation dans un univers organisé autour de la division en familles. Le résultat est que beaucoup de liens de parenté reconnus dans la généalogie ont été construits sur la base de diverses manipulations. Il s’agit de manipulations nécessaires à l’accumulation d’un capital symbolique. Pour les réaliser, le généalogiste filtre les éléments de l’expérience collective qu’un groupe déterminé cherche à se rappeler et voir rappelés pour les transformer en symboles. Ces symboles équivalent aux expériences sociales perçues comme importantes. Des expériences qui doivent être transmises par des exemples concrets et qui ont le pouvoir de rassembler les personnes à partir d’une même vision du monde, leur offrant une identité. Dans l’esprit des individus, la mémoire spécifique familiale et les souvenirs attachés à la société en général viennent cohabiter, car la généalogie ne célèbre que ce qui a déjà été reconnu dans la pratique[45].
Cet aspect de la construction généalogique acquiert une signification pertinente pour l’activité politique. En effet, lors qu’on analyse la généalogie produite par Alves Pequeno, on se rend compte que l’envie de laisser des traces est proportionnelle au pouvoir de barganha (négociation) que détiennent les agents politiques de ces groupes, mesuré en fonction de leur cohésion interne.
La cohésion interne, comme on l’a vu précédemment, a été attribuée à la femme, avec un frère célèbre. Lui octroyant la primauté des lien de parenté, l’auteur de la généalogie non seulement offre une identité à la famille, mettant ensemble des personnes éparpillées dans plusieures lignées masculines, mais aussi il légitime des traits de la pratique politique qui étaient incorporés dans ces groupes familiaux. Une des pratiques les plus significatives est celle de se servir du nom du Marquis de Paraná (mort en 1856) pour rappeler aux membres de la famille leur place dans la société à venir. Ce nom sert encore d’identification aux hommes politiques de la branche Canêdo de la généalogie. Rebelo Horta, par exemple, les a appelés les “neveux du Marquis de Paraná”[46]. Mais c’est un entretien avec une Canêdo, née en 1937, qui éclaircit l’utilisation de cette image du passé pour l’accumulation du capital symbolique par le mariage :

Quand j’étais à Barbacena, j’entendais toujours une de mes cousines dire qu’il fallait que je fasse attention à ne pas me diminuer face à mes petits-amis, car j’étais la nièce du Marquis du Paraná. Et le docteur Galdino [marié à la cousine] disait, lors qu’il l’entendait: ‘Etre nièce de marquis não enche barriga de ninguém[47]

Des témoignages d’autres femmes incorporées à la généalogie révèlent les effets de la stratégie de mariage dans le jeu familial où elles sont utilisées commes des atouts pour l’accumulation du pouvoir politique. Elles réprésentent le paradoxe de la vie féminine à l’intérieur de ces familles où l’identité est donnée par les grand noms existants dans la descendance. C’est une vie occulte, introvertie, avalée par les pouvoirs de ceux qui décident des mariages, les morts, les lois, mais qui en même temps est capable de force pour agir dans le monde extérieur, soit pour conserver l’ordre, à travers les mariages – ou la vie célibataire – soit pour contester cet ordre, comme le raconte D. Isabel Novaes, une arrière-petite-fille de Balbina.

Ma cousine aimait le pharmacien. Mais comme en plus il était assez basané, son père a empêché les fiançailles. Elle s’appelait Ernestina et était très jolie. Elle a dit qu’elle se suiciderait si son père ne la lassait pas se marier avec le pharmacien. Et elle s’est finalement suicidée. Elle avait des longs cheveux qui atteignaient les pieds. Tous les soirs elle les lavait et dormait sans les sécher. Elle a eu la tuberculose et en est morte.[48]

Sous cet aspect, il n’est pas étonnant de constater le type d’éducation qui leur était offerte. Depuis Balbina, on se rend compte par l’écriture et le style dans les documents familiaux, elles avaient toutes un bon niveau d’instruction[49]. Les études réalisées en d’importantes écoles religieuses, sous la surveillance sévère des parents (“Il faut que mes filles soient instruites, pour leur bien et ma fierté”, l’a écrit Afonso Pena à sa femme Mariquinhas, petite-fille de Balbina), ne leur offraient aucune forme de préparation pour la vie rurale, ce qui rend évident le désir de leur préserver un style de vie capable d’incorporer des valeurs urbaines et un bon mariage dans la haute sphère de l’Etat. Les entretiens et les documents familiaux analysés révèlent des aspects contradictoires de ces valeurs inculquées : avec les narratives et les photos de voyage, qui montrent et parlent de mondes nouveaux, on valorise la vie familiale fermée aux étrangers. Ainsi, elles étaient gardés d’avoir des liens avec des gens hors des limites des intérêts familiaux, comme une union avec quelqu’un qui afficherait une vie ”trop libre”[50].
Quand un mariage ne peut pas se faire selon les attentes – et cela est fréquent dans les groupes familiaux qui souffrent d’une chute de prestige social ou économique – cela impliquait, c’est ce qu’écrit l’une des recensées, “le retour à Muriaé, où elle a habité depuis sa jeunesse jusqu’aujourd’hui chez ses Parents. Après le décès de ses Parents, elle a continué d’y vivre, avec sa soeur Maria Isabel, dans la même maison, rue Dr. Alves Pequeno[51]”. Toutes ces vieilles filles de la famille, à qui il était défendu de se marier “vers le bas” pour ne pas dilapider le patrimoine politique familial, avaient la dure mission de préserver dans la “maison ancienne”, qui avait connu des morts et des naissances, la mémoire familiale, le lieu ou devait se transmettre le sentiment de posséder un nom et préserver l’union entre les générations[52]. Il leur était dû de “faire leur devoir”. Eviter ce que beaucoup de cousines avaient fait : choisir un “mari impropre” et disparaître de la vue de ses familiers. En d’autres mots, disparaître de la généalogie, car les unions reconnues par le généalogiste sont celles recueillies des informations des parents. Cependant, parce qu’elles ne laissent pas des descendants, ces vieilles filles accomplissent un sacrifice qui ne les éternise pas non plus dans le “livre de famille”. Sans descendance, elles ne sont plus utiles après leur mort.
Cela permet de poser des questions sur un autre aspect de cette construction symbolique de la généalogie sur laquelle on travaille : comment tant de talents masculins ont pu être introduits dans une lignée familiale où le nombre de femmes est remarquable.
Pour ce qui est de cet aspect, les ‘talents politiques’ recencés par Alves Pequeno ont pu entrer dans la généalogie grâce à des mariages avec des femmes de la ligée. Elles n’étaient pas n’importe quelles femmes, mais des femmes socialisées dans une famille où la gestion du capital social est réalisé par elles. Une gestion décisive pour l’accumulation de chaque type de capital nécessaire au succès des individus sélectionnés par la famille pour entrer dans la voie politique. Une getion avec un rapport stratégique avec le passé.
Cela se voit aussi dans le tracé vertical de la généalogie. Dans ce tracé, l’idée du passé est présente dans l’venir que sont en train de construire les alliances réalisées. Celles-ci deviennent des facteurs décisifs pour l’accumulation de tout le capital dont les individus concernés ont besoin pour rester membres de la famille
Suivant cette même idée, un autre généalogiste – Antonio Carlos de Valadares[53] – fait ressortir l’importance du mariage de l’ancien président du Brésil Afonso Penna avec une “nièce du Marquis du Paraná”. Cela expliquerait l’impulsion donnée à sa carrière politique, alors qu’il était un modeste avocat de province. Après ce mariage, sans que le changement de régime – monarchie ou république – ait changé quoi que ce soit, il a occupé plusieurs postes de grand prestige : Ministre de l’Empire, Conseiller d’Empire, Président de l’état de Minas Gerais, Président de la République, entre autres. Ainsi écrit l’auteur :

[Afonso Penna] a été diplômé [à la Faculdade de Direito de São Paulo], mais il n’a pas suivi une carrière académique, il a modestement exercé son droit dans sa ville natal, Santa Bárbara.
Plus tard, il a transféré son activité dans la ville de Barbacena, où il a épousé, le 23 janvier 1875, Mlle. Maria Guilhermina de Oliveira Penna, fille du comendador João Fernandes de Oliveira Penna et nièce du Marquis du Paraná, “homme politique très influent aux temps de l’Empire”, selon ce qu’Afonso Penna lui-même a écrit, dans une lettre que je détiens.

Mais d’autres hommes introduits dans la généalogie grâce à des mariages avec les descendantes de Balbina Honória ont été à composer les capitaux nécessaires pour transformet la construction généalogique avec un type de capital à la fois social et symbolique. Parmi eux, on retrouve Benedito Valadares. Il est mort en 1978, reconnu comme étant l’homme de Getúlio Vargas dans le Minas Gerais pendant l’Etat Nouveau (1937-1945). Il était surnommé “le grand renard mineiro” et a été le président du puissant PSD dans les années 50 et en a toujours fait partie de la direction nationale jusqu’à l’extension du système pluripartidário (où plus de deux partis étaient permis), en 1965.
L’ascension de Benedito Valadares doit beaucoup à son mariage avec une arrière-petite-fille de Balbina Honória, dont la famille jouissait de nombreuses relations sociales et politiques. Odete, l’épouse de Benedito, avait une soeur mariée à un prestigieux neveu de Getúlio Vargas – Ernesto Dornelles – qui a été chef de la police de Minas Gerais, après le coup d’état de 1930. Avant son mariage Valadares était inconnu, selon une étude faite par Simon Schwartzman[54] : “L’indication de Valadares à l’interventoria de Minas a été une grande surprise pour tout le monde. (…) Il est curieux de voir comment Benedito Valadares justifie le fait d’être allé Getúlio après la mort du président de Minas, Olegário Maciel. Pour lui, cette mort “a été un terrible choc, car, outre que je l’estimais beaucoup, je restais sans repères, privé du chef et du guide qui était tellement nécessaire aux jeunes gens entrées dans la vie publique. (…) Les jeunes se colletaient dans la compétition politique”. (Benedito Valadares, Memórias, Rio de Janeiro, Civilização, 1966).C’est alors que Valadares va voir Getúlio Vargas à Rio, “cherchant de l’orientation”, et il sort de la rencontre virtuellement comme l’homme de Minas. (…) ”

D’après une interview[55] avec Pio Canêdo, arrière-petit-fils de Balbina, lui même un homme politique influent dans le Minas Gerais, l’ascention de Benedito Valadares dans le champs politique doit beacoup à son mariage avec une arrière-petite fille de Balbina Honória. Odete, l’épouse de Benedito, avait une soeur mariée à un prestigieux neveu de Getúlio Vargas – Ernesto Dornelles – qui a été chef de la police de Minas Gerais, après le coup d’état de 1930. Avant son mariage, Valadares était inconnu. Il a été choisi par Getúlio Vargas, d’après l’interwievé, pour que le projet de l’Estado Novo ait du succès dans le Minas, qui était poilitiquement partagé entre les anciennes oligarchies.

Quand Benedito [Valadares] a été choisi pour le poste d’interventor il n’a pas été bien vu, d’abord parce qu’il ne faisait pas partie de la première ligne de la politique du Minas, et puis parce qu’il n’était pas très connu à l’époque. En fait, le choix de Benedito a été fait par des raisons familiales. La soeur de D. Odete, sa femme, qui appartenait à la famille Maldonado, de Barbacena, était mariée avec Ernesto Dornelles, qui était un cousin de Getulio Vargas et qui a occupé d’importants postes dans le Minas. Ovidio de Abreu avait l’habitude de dire que la politique mineira était faite avec des liens de famille. Carlos Luz a amplement soutenu Milton Campos en 1947 parce qu’il a été marié, de son premier mariage, avec une soeur de D. Déa, la femme de Milton. Tancredo avait une tante qui avait été mariée avec le frère d’Ernesto Dornelles. Zequinha Bonifácio et Bias Fortes étaient mariés avec deux soeurs, ainsi que Juscelino Kubitchek et Gabriel Passos[56].

Lorsque l’interviewé cite les alliances matrimoniales il déchiffre l’union du monde politique avec le monde social, mais aussi il permet de réfléchir sur une gestion familile suffisament efficace pour mener ses membres à résister aux aléas de la vie politique et même au changement dans le jeu politique, car ce n’est par surprenant que toutes les personnes citées aient atteint les postes les plus hauts de la République et aient pu les transmettre à des descendants ou à des filleuls[57]. Avec l’ombre d’obscures femmes, ils ont atteint le capital politique et social nécessaire à l’impulsion de ses carrières, faisant qu’elles soient fiables même lors des moments des transition.
Ainsi, l’écrit généalogique, c’est à dire, la preuve d’un capital accumulé depuis des générations, légitime la famille. En ce sens, celle-ci s’est transformée, pour les agents intéressés, en un important atout du jeu politique. La famille s’inscrit dans une continuité et marque de cette manière la solidité de son pouvoir social, sa maîtrise du temps et sa capacité d’adaptation[58].

NOTES
[2] Mineiro, mineira : propre de Minas Gerais. Nous avons préféré conserver certains vocables portugais lors que leurs sens et leurs poids politiques et scientifiques nous paraissent ne pas être suffisamment soulignés dans une traduction littérale. Nous donnons entre parenthèses le mot français le plus proche.
[3]Cid Rebelo Horta, «Famílias governamentais em Minas Gerais», II Seminário de Estudos Mineiros, Belo Horizonte, UFMG, 1956.
[4]Frances Hagopian, «The Politics of Oligarchy: the persistence of the traditional elites en contemporany Brazil», thèse de doctorat, Massachussets, 1990.
[5]Pour une discussion du dualisme politique, voir Jean-Louis Briquet, «La tradition en mouvement – La politique clientelaire et ses transformations dans la Corse contemporaine», thèse de doctorat en sciences politiques, Université Paris I, 1994. Voir sur le Minas Gerais, Amilcar Viana Martins Filho, «Clientelismo e representação de interesses em Minas durante a Primeira República», Belo Horizonte, UFMG, Faculdade de Ciências Econômicas, Sala Mineiridade, 1980 (mim.).
[6] Le Centro de Pesquisas e Documentação Contemporânea – CPDOC – de la Fundação Getúlio Vargas, Rio de Janeiro, est connu par ses archives où on retrouve des interwies avec des hommes politiques contamporains. Sur le Minas Gerais voir Norma de Goes Monteiro (coord.), Dicionário Biográfico de Minas Gerais – período republicano 1889-1991, Belo Horizonte, UFMG, Centro de Estudos Mineiros?Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais, 1995. Une manière originale d’utiliser les biographies est celles d’Annie Collovald, «Identités stratégiques», ARSS, nº 73, juin 1988, principalement parce que l’auteur utilise deux biographies de Jacques Chirac parues en deux différentes maisons d’édition pour analyser la manière comment sont construites les identités et les inventions identitaires, dans la relation entre les instances biographiques et l’enjeu proprement politique. Original est aussi la minière dont Rémi Lenoir analyse un type spécial de correspondance politique, celle où les hommes politiques sont amenés à répondre sous forme de lettre à des demandes d’interventions personnelles en faveur d’une cause défendue par une association. Voir «Réponses et répondants», ARSS, nº 73, juin 1988.
[7]Entretien avec Eugênio Klein Dutra, 20/07/86.
[8]Sur ce sujet voir Mona Ozouf, «Quelques remarques sur l’acte de vote dans une commune bretonne», in L’acte du vote en question : Expériences françaises et étrangères de la pratique électorale, Paris, Université Paris I, 1992. Voir aussi Yves Pourcher, Les notables de Lozère du XVIII siècle à nos jours, Paris, Olivier Orbani, 1987, et la thèse de doctorat en sciences politiques de J.L. Briquet, opus cit.
[9] [9] Waldemar Alves Pequeno, Raízes Mineiras e Cearenses, Belo Horizonte, Imprensa Oficial, 1970. Le travail sur la généalogie a consisté en une transposition des données sur des fiches individuelles. La généalogie présentant des lacunes en raison de l’élimination de certaines branches et du manque de dates (de naissance, de mariage et principalement de mort), on a choisi de compléter les données en interviewant les personnes enregistrées. On a catalogué 1692 personnes et on s’est servi de l’informatique ensuite pour faire le croisement de données ce qui a permis de faire la relation entre trois espaces sociaux : l’espace familial (où les stratégies de l’éducation et du mariage sont mises en pratique), l’institution scolaire (où sont préparés les porteurs du savoir nécessaire aux différents mouvements du processus social) et l’espace des agences gouvernementales, avec le postes et le positions de pouvoir qui se sont établis.
[10] Les entretiens ont été réalisés avec des personnes inscrites dans la généalogie qui ont bien voulu les accorder. Parmi les entretiens, deux sont d’hommes politiques, treze de hauts techniciens de l’administration de l’Etat de Minas Gerais (un d’eux est aussi le président du Club des Engénieurs, une organisation nationale). Le témoignage de quinze femmes de la lignée a complété les données de la généalogie, avec des dates, la scolarité des membres, les postes publiques occupés et des précisions sur certaines carrières politiques qui ont eu du succès ou qui ont échoué. A l’aide de ces femmes, j’ai pu acceder é bon nombre de documents familiau, comme des lettres et principalement des articles et des folhetos qui célébraient leurs parents masculins. Les archives de cette famille se trouvent à la Fondation Henrique Hastenreiter, à Muriaé, MG. Toute la documentation de cette fondation est classée par le nom des familles de la Zona da Mata considérées illustres par le président de la fondation. Le travail a reccueilli aussi des témoignages d’hommes politiques de ces autres familles, parus en des livres organisés par jounalistes et histories, tels :
[11] La Zona da Mata est située à l’est de l’Etat de Minas Gerais, à la frontière de Rio de Janeiro. Son peuplement a commencé au à la deuxième moitié du XIXème siècle grâce à la culture du café.
[12] Hagopian, opus cit.
[13]
[14] Le Gabinete da Conciliação n’a certainement pas été celui de la conciliation, mais sa politique modéré a permis la consolidation et l’alternance au pouvoir des deux partis politiques nationaux existants dans l’Empire: le parti Conservador et le parti Liberal. En ce sens la Conciliação s’est prolongé bien après la date 1853-57, jusqu’aux années 1870. Aujourd’hui encore le mot clé est employé dans le milieu politique brésilien à la place du mot ‘accord’, quand il s’agit d’éviter des conflits d’intérêt.
[15] Voir sur le sujet Katia Mattose, Família e sociedade na Bahia do século XIX. São Paulo, Corrupio, 1988. Au Brésil, l’enfant porte le nom de deux parents, formant un nouveau patronyme indicatif de la douple présence familiale. Cependant, quand une femme se marie elle abandonne le nom maternel et prend celui du mari, sans qu’il s’agisse de filiation patrilinéaire.
[16] W. Alves Pequeno, opus cit. p. 13-14.
[17] Le Brésil a été élévé à la ccatégorie de Royaume Uni au Portugal et à Algarves en 1815. L’indépendance a eu lieu en 1822, mais le processus avait commencé à partir de l’arrivée de la famille royale portugaise au Brésil en 1808, après l’occupation du Portugal par les troupes de Junot.
[18] L’activité commerciale au Brésil était monopolisée par des hommes nés au Portugal, normalement des parents d’autres commerçants vivant dans la Métropole. Voir E. Kugnesof, “A Família na sociedade brasileira : parentesco, clientelismo e estrutura social – 1700-1890”, Revista Brasileira de História, vol. 9, n° 17, p.52-53, set. 1988, fev.1989. Voir aussi Maria Yeda Linhares, História do abasteciemento, uma problemática em questão (1530-1918), p. 163-164.
[19] Les capitaines étaient choisis par le gouverneur portugais à partir d’une liste de trois noms présentée par la chambre de leur juridiction. Ils étaient choisis ayant pour base leur ‘noblesse et richesse’ et devaient être obéis sans être questionnés. Ce titre étai octroyé avec celui de gentilhomme, comme une voie d’accès au pouvoir local. Cf. E. Kuznesof, opus cit, p. 41. Voir aussi : H. Peregali, Recrutamento militar no Brasil colonial, Campinas, UNICAMP, 1986 et Augusto de Lima Junior, A Capitania das Minas Gerais, Belo Horizonte, Itatiais, 1978, p. 78.
[20] Voir Gilberto Freire, Casa Grande e Senzala. Voir aussi Katia Mattoso, opus cit. et les romans du cicle régionaliste du Nordeste.
[21] Les rapports de la noblesse portugaise avec la terre étaient différents de ceux de la noblesse française. D’après Sérgio Buarque de Holanda, História da Civilização Brasileira, São Paulo, DIFEL, 1960, p. 18, “la noblesse [portugaise] n’a jamais créé des racines à la campagne. Elle était dépendante de la Casa de Avis, d’où elle obtenait des seigneuries, des charges et des grâces”. Voir Raymundo Faoro, Os Donos do poder, Porto Açegre, Globo, 1976, cap. 2 e 3.
[22] D’après le recensement de 1872, Minas Gerais concentrait 20,5% de la population brésilienne, contre 13,9% à Bahia et 8,4% à São Paulo. La province avec la plus peuplé du pays, après la fin des cativités minières (fin du XVIIIème) était dépourvue d’une activité importante et lucrative.
[23] Dans une étude comparative de quatre provinces brésiliennes, Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul et Pernanbuco, Schwartzman, Bases do autoritarismo brasileiro, Rio de Janeiro, Campus, 1982, p. 27-42, fait remarquer la différence existante entre les paulistas (originaires de São Paulo), isolés du reste du pays (jusqu’à la deuxième moitié du XIXème) et les habitants des autres provinces, en particulier ceux de Minas, qui gardaient la structure bureacratique de l’administration coloniale.
[24] Il est important de signaler que la Constitution brésilienne a empêché la formation d’une aristocratie au Brésil. Ces titres n’étaient pas héréditaires, ils n’avaient qu’une valeur honorifique et attestaient la dépendance au gouvernement impérial.
[25] Le Gabinete da Conciliação n’a certainement pas été celui de la conciliation, mais sa politique modéré a permis la consolidation et l’alternance au pouvoir des deux partis politiques nationaux existants dans l’Empire: le parti Conservador et le parti Liberal. En ce sens la Conciliação s’est prolongé bien après la date 1853-57, jusqu’aux années 1870. Aujourd’hui encore le mot clé est employé dans le milieu politique brésilien à la place du mot ‘accord’, quand il s’agit d’éviter des conflits d’intérêt.
[26] Observation d’un finacier belge, le Conte de Strater Ponthos, cité par S.B. de Holanda, História da Civilização Brasileira, Tome IV, vol. 5, p. 83.
[27] Les Gerais avaient déjà atteint une subsistance relativement auto-suffisante à partir des années 1750. Mais la nouvelle configuration historique de Minas Gerais (d’urbaine à rurale) ne se montre clairement qu’au début du XIXème. Il ne s’agissait pas d’une économie agricole comme le plantaition, ni éteit-elle orienté pour l’exportation, puisque l’isolement du marché extérieur, la diversification et l’auto-suffisance étaient ses principales caractéristiqus. C’est ainsi que la thématique de la décadence a gagné place. Pour une étude , non pas de la écadence économique, qu’il semble ne pas avoir eu lieu dans le Minas Gerais, mais de cette décadence existente dans l’imaginaire mineiro, voir Maria Arminda Arruda, Mitologia da mineiridade, São Paulo, Brasiliense, 1989. Sur l’économie du Minas au XIXème voir le travail de Roberto Martins dont le titre suggestif est “Growing in silence”, Vanderblit University, Nashville, 1984.
[28] Pendant la période coloniale, la terre pouvait être obtenue aussi bien par la simple occupation, comme par donation de la Couronne. Comme la terre vierge était disponible en des grandes quantités, chacun qui se disposait à aller dans les régions sans aucun intérêt commercial pouvait contrôler des morceaux de terre. La Lei de Terras de 1850 a représenté un essaie de régulariser la propriété rurale, et le travail dans les propriétés, selon l’expansion du pays et les possibilités du marché à l’époque. La loi a interdit l’obtention de terres publiques par n’importe quel autre moyen que l’achat. La loi a été inspiré sur la supposition que, dans une région où l’accès à la terre était aussi facile, il aurait été impossible aux gens de travailler dans les propriétés, si ce n’étaient pas des esclaves. Voir sur le sujet, entre autres, Emília Viotti da Costa, “Política de terras no Brasil e nos Estados Unidos”, in Da Monarquia à República, São Paulo, Ciências Humanas, 1979, p. 127-147
[29] Voir M.A. Arruda, opus cit. Voir aussi Peter Louis Blasenhein, “A Regional History of the Zona da Mata in Minas Gerais, Brazil : 1870-1906”, thèse de doctorat, Stanford, Stanford University, 1982. P. 82.
[30] Tavares Bastos, A Província, São Paulo, Cia. Editora Nacional, 1937, p. 159. Tavaros Bastos était un député libéral et ses prpos expriment une critique à la Loi d’Interprétation du Code du Procès Criminal, de 1841.
[31] Desembargador : le plus haut poste de la magistrature brésilienne.
[32] Ces archives se trouvent à la Fondation Hastenheiter, cité plus haut en note. On y retrouve non seulement des brouillons de ses lettres et sentences, mais aussi des factures d’achat de terre, de maison et le brouillon du partage de ses biens.
[33]
[34] Sur le Brésil voir Lucila Brioschi, “Família e Genealogia : quatro gerações de uma grande família do sudoeste brasileiro (1750-1850)”, dissertação de mestrado, FFLCH, USP, 1984. Pour le cas français voir Yves Poucher, opus. cit. Voir aussi François Héran, Le Bourgeois de Seville – terre et parenté en Andalousie, Paris, PUF, 1990.
[35] L. Brioschi, opus cit
[36].Elizabeth Kuznesof, opus cit. Voir aussi Linda Lewin, Politics and parentela in Paraiba, Princenton, Princenton University Press, 1987.
[37] Voir su ce sujet, Edgard Carone, A República Velha, São Paulo, Difusão Européia do Livro, 1970, p. 272. Voir aussi John Wirth, Minas Gerais and the Brazilian federation, 1889-1937, Standford, Standford University Press, 1973; A. V. Martins, opus cit.
[38] Viana Martins, “Clientelismo e representação de interesses em Minas Gerais durante a Primeira República”, Faculdade de Ciências Econômicas, UFMG, p.22. L’auteur ….
[39] Coronel: titre donné populairement aux chefs locaux, propriétaires de terre.
[40] Entretien avec Pio Canêdo, 20/07/86. Il a débuté sa carrière politique dans les années 20, pendant la campagne de la Aliança Liberal dont il faisait partie avec son cousin Affonso Penna Júnior. Entre autres postes, il a occupé celui de maire de Muriaé, il a été député durant plusieurs législatures, secrétaire de l’intérieur, secrétaire de l’agriculture, un des fondateurs et tête du PSD, vice-gouverneur de Minas Gerais, vice-président de la Banque de l’Etat de Minas Gerais, directeur de la fondation João Pinheiro.
[41] Entretien avec Afonso Canêdo, 23/12/88.
[42]
[43] Blasenheim, opus cit., p. 43.
[44] A propos des difficultés de l’économie mineira voir, A. V. Martins, opus cit.
[45] Voir Beatrix le Witta, “Mémoire : l’avenir du présent”, Terrain, n° 4. Mars 1985.
[46] C.R. Horta, opus cit., p. 75.
[47] Expression populaire (‘ne remplit pas le ventre’) qui renvoie aux ressources matérielles par opposition aux ressources symboliques.
[48] Entretien avec D. Isabel, 02/89. Elle avait 94 ans et était encore très lucide.
[49] D. Isabel Novaes, sans argent pour payer des professeurs particuliers, reaconte qu’elle assistait aux cours de français offerts à ses cousines. Entretien cité.
[50] Une des petites-filles de Balbina s’est servi de cette expression lors d’un entretien. Vielle fille, elle se rappelait son enchantement pour Pedro Nava, dans les années 20. Nava était un médecin de renommée internationale et appartennant à la Antologia dos poetas brasileiros bissextos e contemporâneos. Lui-même raconte son enchantement pour elle dans un de ses livres de mémoires, Galo das Trevas, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1987, p. 420-432.
[51] Extrait d’un questionnaire envoyé à toutes les femmes de la généalogie qui avaient complété 80 ans. Cette réponse étonne du faite d’être écrite à la troisième personne et que le mot Parents est en majuscule, ce qui me semble un manque total de vie personnelle vécue par les vieilles filles de cette famille.
[52] Voir Cláudia Fonseca, “Solteironas de fino trato : reflexões em torno do (não)casamento entre pequenos burgueses no início do século”, in Revista Brasileira de História, vol. 9, p. 99-120, ago/out 1989. L’auteur défine ce type de vieille fille en fonction de sa réputation : cette femme qui “apparemment” ne s’est jamais mariée, n’a jamais eu d’enfant et n’a jamais vécu maritalement avec aucan homme. D’après elle, ce type de femme n’apparaît qu’un des contextes où trois facteurs se combinent : status socio-économique, organisation doméstique et stratégie de réproduction.
[53] Antonio Carlos de Valadares. “A ascendência portuguesa do presidente Afonso Penna”, in Revista do Instituto Histórico e Geográfico, Rio de Janeiro, 1978, p. 71.
[54] Simon Schwartzman, Base do autoritarismo brasileiro, Rio de Janeiro, Campus, 1982, p. 111-112.
[55] Mascarenhas Vaz, Israel, uma vida para a História, Cia do Vale do Rio Doce, 1996, p. 181. Propos de Pio Canêdo.
[56] Propos de Pio Canêdo. Mascarenhas Vaz, opus cit., p. 181.
[57]
[58] Sur la mémoire familiale voir: B. De la Witta, “Mémoire: l’avenir du présent”, in Terrain, n°4, mars, 1985.