Caminhos da memória: parentesco e poder

Publicado em: Textos de História, Brasília, v. 2, n. 3, p. 85-123, 1994.

A duração em política me apareceu como problemática porque, ao contrário da afirmação do ex-deputado Klein Dutra, descobri que os políticos mineiros escreveram sua memória, deixando-a escondida nas dobras de genealogias. Nelas ordenaram sua visão do mundo em listas de casamentos onde a regularidade existente na escolha dos cônjuges e da ocupação profissional indica o domíni o pratico da lógica necessária para garantir a permanência de uma ordem política baseada no poder da burocracia do Estado. Esses políticos deixaram, ainda, acondição dos seus mandatos eletivos registrada nos objetos, isto é, nas estátuas erigidas em honra a seus ancestrais políticos, nos prédios públicos com seus nomes de família gravados e misturados com retratos de antepassados, todos eles cuidadosamente marcados com referências que comprovam a dedicação de cada retratado ao serviço do Estado. E uma memória que se movimenta também nas festas regionais e nacionais, reativada nas comemorações cívicas e populares. Elas exibem e medem a longevidade e a força dos detentores de uma autoridade política, tanto pelo número de citações dos nomes da parentela que se mostra sempre presente, como pelo conjunto dos aliados e afiliados dispostos a prestigiá-los nessas comemorações.

Ler texto completo.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s